PCdoB põe Braga de escanteio e indica apoio a senador do Rede

Comunistas iniciam diálogo com Ismael Munduruku após ficarem fora da convenção do candidato do MDB

PCdoB põe Braga de escanteio e indica apoio a senador do Rede

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/07/2026 às 23:00 | Atualizado em: 13/07/2026 às 23:05

O senador Eduardo Braga (MDB), candidato à reeleição e principal nome do presidente Lula da Silva na disputa pelo Senado no Amazonas, enfrenta novos sinais de desgaste entre os partidos de esquerda.

Na noite desta segunda-feira (13 de julho), a direção estadual do PCdoB iniciou conversas com Ismael Munduruku, pré-candidato ao Senado pelo partido Rede Sustentabilidade, movimento que indica que os comunistas podem seguir um caminho diferente do traçado pelo emedebista nas eleições de 2026.

A articulação ocorre poucas horas depois de o BNC Amazonas revelar que a convenção marcada por Braga para o próximo dia 25 foi organizada sem a participação da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, evidenciando o distanciamento entre o senador e os partidos mais identificados com o governo Lula.

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Nos bastidores, dirigentes comunistas afirmam que Braga nunca procurou formalmente o PCdoB para discutir a construção de sua candidatura ao Senado ou pedir o apoio da legenda.

A avaliação dentro do partido é que o senador concentrou seus esforços nas negociações com PSD, MDB, Republicanos e demais partidos do bloco que sustenta a candidatura de Omar Aziz (PSD) ao Governo do Amazonas, deixando em segundo plano as legendas da esquerda.

Esse cenário abriu espaço para que o PCdoB passasse a dialogar com Ismael Munduruku, nome que reúne bandeiras históricas defendidas pelos comunistas, como a proteção dos povos indígenas, da Amazônia e das políticas socioambientais.

Desgaste começou com o veto ao PT

O desconforto da esquerda com Braga não surgiu agora.

Como mostrou o BNC Amazonas nos últimos dias, o PT reivindica o direito de lançar um candidato próprio ao Senado, tendo o ex-deputado federal Marcelo Ramos como principal opção.

Braga, entretanto, trabalha para ser o único nome da aliança governista na disputa pelas duas vagas em jogo.

O impasse foi levado pela direção estadual do PT à executiva nacional do partido, em Brasília, aprofundando as divergências dentro da base do presidente Lula no Amazonas.

Agora, a aproximação do PCdoB com Ismael reforça a percepção de que parte da esquerda busca construir uma alternativa política para o Senado.

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O gesto do PCdoB ocorre no mesmo dia em que veio a público a definição da convenção de Braga.

Embora seja o candidato ao Senado apoiado por Lula, o evento anunciado pelo MDB não inclui oficialmente a federação Brasil da Esperança, formada justamente pelos partidos que compõem a base histórica do presidente.

A ausência foi interpretada nos bastidores como mais um sinal de que a estratégia do senador prioriza a composição com partidos de centro, deixando a esquerda em posição secundária na construção da campanha.

Ismael ganha espaço

Sem espaço nas negociações conduzidas por Braga, Ismael passa a ser visto por setores da esquerda como uma candidatura capaz de representar pautas ambientais, indígenas e sociais que tradicionalmente aproximam PT, PCdoB, PV e Rede.

Embora ainda não exista anúncio formal de apoio, a abertura das conversas entre o PCdoB e o pré-candidato do Rede demonstra que o tabuleiro para a disputa ao Senado permanece aberto e que Braga ainda precisará reconstruir pontes com parte importante da base política do presidente Lula no Amazonas.

Foto: divulgação