PCdoB do Amazonas diz a Lula que terá mulher na disputa à Câmara
O nome da ex-senadora Vanessa Grazziotin volta a ser cogitado; ela descarta.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 17/10/2025 às 12:33 | Atualizado em: 17/10/2025 às 12:35
O presidente estadual do PCdoB, Yann Evanovick, disse ao presidente Lula da Silva que o partido no Amazonas terá uma candidatura competitiva de mulher à Câmara dos Deputados e apresentou um quadro de renovação na direção local da sigla.
A conversa com o presidente aconteceu nesta quinta-feira (16 de outubro) durante o ato político de abertura do 16º Congresso Nacional do PCdoB, que ocorrerá até domingo no Auditório Ulysses Guimarães, em Brasília.
O nome da ex-senadora e ex-deputada Vanessa Grazziotin voltou a ser cogitado, embora ela já tenha declinado de ser candidata.
“Vanessa pediu para não ser, mas gostaríamos muito [que ela seja] dada a sua contribuição histórica”, disse Evanovick ao BNC Amazonas.
Grazziotin teve três mandatos de deputada federal e um de senadora. Atualmente, ela é diretora-executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
No caso de não poder contar com o nome da ex-senadora, o presidente estadual do partido diz que busca alternativas. “Estamos dialogando com várias candidaturas femininas competitivas”, revela.
Para a Assembleia Legislativa do Amazonas, o nome é do ex-deputado Eron Bezerra que já exerceu cinco mandatos consecutivos naquela Casa.
“Eron é pré-candidato a deputado estadual e vamos apresentar o nome de uma mulher à deputada federal”, diz o dirigente.
“Lula ficou feliz com o processo de renovação que o PCdoB está fazendo e a nossa eleição para a presidência do PCdoB do Amazonas é parte disso. Fez uma fala fazendo esse chamado a renovação”, observa.
O presidente estadual da sigla diz que a delegação amazonense tem “presença efetiva, mobilizada e renovada” no evento nacional.
“Nós estamos no esforço de assegurar a vitória do presidente Lula no Amazonas, dos senadores da base democrática e também assegurar a vitória do próximo governador. Nós vamos fazer toda a discussão no tempo correto, mas vamos trabalhar muito para a unidade do campo do presidente Lula no estado”, afirma.
Lula
Na sua fala, Lula cobrou do partido o lançamento de candidaturas competitivas para ampliar a base de apoio no Congresso numa eventual reeleição dele no próximo ano.
O presidente lembrou que nas disputas presidenciais tem levado a melhor, mas isso não se reflete nas bancadas dos partidos aliados na Câmara e no Senado. Por isso, cobrou mais empenho para aumentar o número de parlamentares do PT, PCdoB, PSOL, PSB, PDT e PSD.
“Como é que a gente vai se preparar para que a gente possa ser maioria no Congresso? Para transformações de verdade que nós temos de fazer nesse país? Nesses dias, tentaram aprovar uma PEC na Câmara que protegia uma quadrilha. Uma PEC que dava ao presidente do partido o direito de imunidade”, lamenta.
O presidente fez longo discurso e cobrou da militância de esquerda uma atuação mais incisiva junto à população e com uma linguagem que seja entendida pelos milhões de brasileiros.
“Não tem democracia sem comida na mesa, sem salário, sem liberdade, sem universidade e sem direitos humanos. A democracia foi derrotada porque deixou de cumprir aquilo que era a razão da sua existência”, afirma.
Lula também sugeriu autocrítica. “Não é fácil. A extrema direita cresceu tanto no mundo, e os progressistas diminuíram tanto. A gente precisa parar para discutir isso e entender o que deixamos de fazer”, considera.
O presidente esclareceu que se for candidato a reeleição será para vencer e conclamou a militância a derrotar a extrema direita.
“Se eu for candidato não é para disputar é para ganhar. Não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar este país”, disse Lula.
“A fala do presidente foi altiva e demonstra que o Brasil se reposicionou no cenário internacional. É uma fala de um chefe de estado que tem muita entrega, que apresenta muitas conquistas para o povo brasileiro. Esse foi um governo de reconstrução de tudo aquilo que foi desconstruído ao longo dos últimos anos, mas um governo também com muita capacidade de realização”, avalia Evanovick.
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Foto: divulgação
