Operação da PF afasta governador do Tocantins
Polícia Federal também faz buscas em Macapá, além de em vários estados do país
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/09/2025 às 07:13 | Atualizado em: 03/09/2025 às 07:55
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (3), duas grandes operações que miram esquemas de corrupção em contratos públicos durante a pandemia de covid-19 e a atuação de organizações criminosas com ramificações no poder político. As ações ocorrem em diferentes estados e mobilizam centenas de agentes.
Operação Fames-19: desvio de R$ 73 milhões no Tocantins
Na segunda fase da operação Fames-19, mais de 200 policiais federais cumprem 51 mandados de busca e apreensão em Palmas (TO), Araguaína (TO), Distrito Federal, Paraíba e Maranhão. A investigação apura fraudes na compra de cestas básicas e frangos congelados, financiados por emendas parlamentares durante a pandemia.
Segundo a PF, os contratos investigados somam R$ 97 milhões, com prejuízo estimado de R$ 73 milhões aos cofres públicos. Os investigadores apuram recebimento de vantagens indevidas por agentes públicos e políticos, incluindo autoridades do Tocantins.
Dessa maneira, o dinheiro desviado teria sido ocultado por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos. Com isso, segundo a GloboNews, resultou no afastamento do governador de Tocantins, Vanderlei Barbosa (Republicanos).
A investigação também alcança desvios semelhantes no Amapá, envolvendo não apenas alimentos, mas também recursos destinados a hospitais durante o auge da crise sanitária.
Lá, a PF cumpre 13 mandados de busca e apreensão, em Macapá e em Belém (PA). A informação é da TV Globo e dá conta de que um dos alvos é o prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan (MDB).
Segundo a informação, a investigação aponta indícios da existência de um esquema criminoso, envolvendo agentes públicos e empresários. É que eles agiram para direcionar a licitação do projeto de engenharia e execução das obras do hospital Geral Municipal de Macapá. O contrato, de R$ 69,3 milhões, foi fechado em maio de 2024.
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Operação Bandeirante: deputado e chefes do tráfico na mira
No Rio de Janeiro, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICO), formada pela Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público, deflagrou a Operação Bandeirante, que tem como alvo o deputado estadual suplente Diego Raimundo do Santos Silva (MDB), conhecido como TH Joias.
Ele é acusado de tráfico de drogas, negociação de armas de grosso calibre, corrupção, lavagem de dinheiro e até de fornecer equipamentos antidrone para o Comando Vermelho. A ação ocorre com autorização do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sob relatoria do desembargador Ricardo Rodrigues Cardoso, com acompanhamento do Procurador-Geral de Justiça, Antônio José Moreira.
Ao todo, são quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão, incluindo no gabinete de TH Joias na Assembleia Legislativa do Rio. O parlamentar, no entanto, não foi localizado durante as diligências desta manhã.
Também foram alvos:
- Luciano Martiniano da Silva, o Pesão, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho;
- Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, acusado de tráfico, já preso;
- Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, ex-assessor do deputado, também preso.
No total, no estado do Rio, a ofensiva contra o crime organizado cumpre 18 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão e o sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões.
Duas frentes, um mesmo recado
As operações desta quarta-feira mostram a atuação simultânea da Polícia Federal e do Ministério Público em duas frentes: o combate à corrupção na gestão de recursos da pandemia e a repressão à infiltração do crime organizado na política.
Enquanto a Fames-19 expõe como recursos destinados a combater a fome foram desviados em plena crise sanitária, a Bandeirante revela a ligação de um parlamentar com facções criminosas que comandam parte do tráfico no Rio de Janeiro.
Matéria atualizada às 7h55
Foto: divulgação/PF
