No esquenta de governador, Tadeu de Souza quer integração com governo federal
Vice-governador do Amazonas se referiu ao combate ao crime organizado, destoando do "consórcio da paz"
Publicado em: 01/11/2025 às 12:16 | Atualizado em: 01/11/2025 às 12:16
Enquanto governadores bolsonaristas liderados por Cláudio Castro, do PL do Rio de Janeiro, no “consórcio da paz”, querem distância do governo Lula da Silva na segurança pública, o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza (Avante), vai na direção contrária.
Ele, que deve virar titular do governo a partir do próximo abril, defendeu nesta sexta-feira, 31 de outubro, a integração de ações entre os poderes estaduais e federais no combate ao crime organizado.
Pelas redes sociais, Souza afirmou que a escalada da violência no Rio de Janeiro é reflexo direto da falta de atuação integrada do governo federal em regiões estratégicas, como o Amazonas. E reiterou a cobrança feita há um ano ao governo federal sobre a necessidade urgente de integrar as forças.
De acordo com o futuro governador, o crime organizado possui poder financeiro e estrutura transnacional e, sem uma resposta nacional coordenada, continuará ditando o ritmo da violência no Brasil.
“Faz exatamente um ano que estive no Palácio do Planalto cobrando do presidente uma estratégia nacional contra o crime organizado, com integração real entre Forças Armadas, polícias estaduais e inteligência. O que aconteceu no Rio de Janeiro é o reflexo direto da falta de atuação integrada do governo federal em regiões estratégicas, e isso inclui o Amazonas e os nossos rios”.
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Souza também reforçou o que escreveu em artigo publicado na revista Veja neste mês. Ele alertou que os rios da Amazônia viraram corredores logísticos da droga e são usados por criminosos para o transporte de entorpecentes que chegam às grandes cidades brasileiras, como a capital fluminense, e a outros países.
“Hoje, o Brasil está sentindo o preço da demora em agir. Nossos rios, que deveriam transportar desenvolvimento e riqueza para a Amazônia, viraram ‘rios de pó’, usados pelo narcotráfico internacional. O Estado do Amazonas está empenhado no enfrentamento, mas não pode mais lutar sozinho”.
Soberania x violência
O vice-governador afirmou, ainda, que o combate aos narcotraficantes na região amazônica deveria ser prioridade para o governo federal, por se tratar de uma questão de soberania nacional diante da ameaça imposta pelo tráfico internacional, seja em comunidades ribeirinhas ou em regiões dominadas pelo crime nas grandes metrópoles.
“O cenário atual é um alerta: não há como defender a soberania nacional sem fortalecer, com trabalho integrado, o combate ao narcotráfico na Amazônia. Continuar ignorando isso é deixar o crime organizado impor sua própria ordem ao país”.
Foto: Ricardo Machado/Secom
