No Amazonas, Maria do Carmo não decola e Alberto Neto é ameaçado
Pesquisas põem bolsonaristas em uma sinuca de bico.
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 16/12/2025 às 19:24 | Atualizado em: 16/12/2025 às 19:25
As pesquisas de intenções de voto no Amazonas expõem um dilema para o PL de Bolsonaro: Maria do Carmo Seffair não consegue ganhar tração como pré-candidata ao governo, enquanto Alberto Neto se sobressai, embaralhando a estratégia do partido para 2026.
Isso sem contar a figura do vereador Alexandre Salazar, que pode, se quiser, atrapalhar os planos de qualquer um do partido, até mesmo do presidente estadual, Alfredo Nascimento.
Tudo à luz dos números dos estudos da fase de pré-campanha para as eleições de 2026.
Conforme levantamentos mais recentes, a empresária Maria do Carmo não consegue se aproximar do líder da disputa, o senador Omar Aziz (PSD), que aparece à frente em todos os cenários testados até agora.
No melhor cenário, ela alcança cerca de 25% das intenções de voto, permanecendo distante dos 42% de Aziz e sem representar ameaça à liderança do senador.
Com nove meses e meio para a eleição, ela não sinaliza, até agora, nem potencial para disputar o segundo turno.
Contudo, é preciso notar que os pretendentes à sucessão de Wilson Lima, tirando Aziz e a própria Do Carmo, ainda não se mostram claramente. Isso força as empresas pesquisadoras a incluir nomes como o vice-governador Tadeu de Souza (Avante) e o deputado federal Alberto Neto, que trabalha com a intenção de disputar o Senado, e não o Governo do Amazonas.
E é esse ponto que põe pulga atrás da orelha dos bolsonaristas, porque Alberto Neto testado como candidato ao governo se mostrou mais competitivo que a que Bolsonaro lançou como sua candidata. Embora isso tenha sido antes da condenação e prisão do chefe da organização criminosa do plano de golpe de Estado.
Nos bastidores, os analistas da política especulam que esses resultados podem levar a possíveis trocas no tabuleiro dos bolsonaristas.
De qualquer forma, do outro lado do panorama, o candidato do presidente Lula da Silva navega em águas tranquilas e sozinho para voltar ao palácio do Santo Agostinho.
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Wilson Lima no calcanhar
Se Maria do Carmo não empolga o que restou de voto bolsonarista no Amazonas, sendo uma ilustre desconhecida do eleitor do interior do estado, Alberto Neto é um alento na disputa pelo Senado.
Em praticamente todos os estudos até agora, Alberto Neto é o dono do segundo voto para uma das duas vagas do Amazonas.
O senador Eduardo Braga (MDB), aliado de Aziz, lidera até o momento.
Só que o pré-candidato do PL tem um fenômeno de eleições anteriores, que já desbancou velhos caciques da política amazonense: o atual governador Wilson Lima (União Brasil).
Embora Alberto Neto mantenha a segunda posição, e como ainda há uma margem considerável de votos a conquistar até outubro de 2026, Lima pode surpreender.
O analista político do BNC Amazonas, Neuton Corrêa, lembra que, desde sua primeira eleição, em 2018, Wilson Lima sempre veio de baixo nas pesquisas.
E agora, com dois mandatos seguidos de governador, é provável supor que semeou muitas sementes para seu futuro na política.
Dessa forma, dependendo do andar da carruagem política, o deputado bolsonarista enfrenta um risco real: ficar de fora Congresso.
Bolsonarismo em queda
O impasse no PL se insere em um contexto mais amplo de desgaste do bolsonarismo no Amazonas.
A pesquisa Census Consultoria para presidente, divulgada no início do mês, por exemplo, mostra Lula liderando contra qualquer nome da direita no estado, com uma vantagem de 7%.
Com a prisão e a inelegibilidade de Bolsonaro, fica evidente a desorganização do campo conservador.
Sem um líder nacional e com dificuldades regionais claras, o PL pode ser obrigado a redesenhar sua estratégia no Amazonas, inclusive revisando os nomes atualmente colocados para 2026.
*Com colaboração da Redação.
Foto: PL/divulgação
