Luxo no Tarumã vira depósito do crime organizado em Manaus

Imóveis de luxo são usados como bases logísticas para drogas e munições.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 26/11/2025 às 16:00 | Atualizado em: 26/11/2025 às 22:48

Imóveis de alto padrão em Manaus passaram a ocupar um papel central na engrenagem do crime organizado. Condomínios de luxo na Ponta Negra e no Tarumã, na zona oeste, têm sido usados como bases discretas para armazenar drogas, munições e armas, longe da dinâmica ostensiva de policiamento das periferias.

O caso mais emblemático ocorreu na Ponta Negra, onde 40 quilos de cocaína preta, avaliados em cerca de R$ 19 milhões, foram encontrados em uma mansão ligada a uma empresária peruana com negócios no varejo de luxo.

A droga estava escondida em compartimentos falsos de quadros, móveis e paredes, em um método característico de redes internacionais.

A modificação química da substância, feita para driblar cães farejadores e testes rápidos, indica estrutura de laboratório e capacidade industrial das facções criminosas, que dominan o narcotráfico.

Convém ressaltar que Manaus e o Amazonas todo não plantam coca, mas são vizinhos e corredores dos maiores produtores mundiais de cocaína, da branca e agora da preta.

Semanas depois dessa ocorrência com a empresária, o padrão se repetiu no Tarumã. Um condomínio fechado funcionava como centro de distribuição, com dois homens movimentando drogas entre corredores internos e ruas próximas. No local, foram apreendidas seringas com substância líquida, maconha tradicional, skunk, comprimidos, droga sintética, quatro balanças de precisão e a motocicleta usada no transporte, conforme divulgou a polícia.

No mesmo bairro, a Polícia Militar interceptou um veículo que trafegava pela avenida do Turismo com 4.600 munições: 3.500 cartuchos calibre .20 e 1.100 calibre .28, em caixas violadas e sem nota fiscal. Ao lado, estavam R$ 1.934 em espécie.

O volume e o tipo do material não condiziam com uso pessoal ou defesa, mas sim com o reabastecimento de grupos que já operam com armas longas e fuzis no entorno da capital.

Geografia favorece

A geografia é um fio condutor entre os casos. A proximidade com o rio Negro e o igarapé do Tarumã, somada às marinas privadas e garagens náuticas, favorece a chegada de carregamentos por rotas fluviais.

Dali, a avenida do Turismo e o Rapidão conectam rapidamente a zona norte e a zona leste, os maiores mercados consumidores da cidade.

As apreensões reforçam que o laboratório do crime não está escondido na mata, mas atrás de guaritas, câmeras e muros altos, onde o fluxo de SUV e motocicletas passa sem levantar suspeita.

Manaus não enfrenta apenas a chegada da cocaína preta, mas um processo de profissionalização do crime, que opera com lógica empresarial: cadeia logística, diversificação de produtos e pontos de consolidação e distribuição.

O luxo, nesse cenário, não representa status, representa camuflagem.

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Foto: divulgação