Lula chama ministro de Trump de ‘latino frustrado’ e revive golpe contra Jango

Presidente resgata operação de 1964 para expor histórico de interferência norte-americana no Brasil, após chamar Marco Rúbio de frustrado

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 03/06/2026 às 20:16 | Atualizado em: 03/06/2026 às 20:19

O presidente Lula da Silva elevou o tom contra o secretário de estado dos EUA, Marco Rúbio, classificando-o publicamente como um “latino-americano frustrado”.

Para demarcar a soberania nacional frente a ataques recentes, Lula resgatou de forma contundente a atuação direta de Washington no golpe civil-militar de 1964, que resultou na deposição do presidente brasileiro eleito João Goulart.

A memória histórica invocada por Lula remete à chamada operação Brother Sam. Na época, o governo norte-americano, então comandado pelo presidente Lyndon Johnson, mobilizou uma frota naval para o litoral brasileiro, pronta para fornecer suporte bélico e logístico aos militares caso houvesse resistência à queda de Jango.

Documentos diplomáticos já desclassificados comprovam que a Casa Branca atuou ativamente na desestabilização.

O então embaixador Lincoln Gordon e agentes da CIA financiaram campanhas de opositores, abasteceram a imprensa com propaganda anti-Goulart e garantiram o reconhecimento imediato do regime ditatorial pelos EUA logo após o golpe contra um governo eleito democraticamente.

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Intromissão histórica

A menção à derrubada de Jango serve como um lembrete do longo histórico de intromissão de Washington na política interna das nações das Américas.

Sob o pretexto da guerra fria, práticas semelhantes de intervenção e patrocínio a rupturas institucionais foram replicadas no Chile, na Argentina e em outros países do continente.

Ao confrontar o atual diplomata norte-americano com esse passado, o presidente brasileiro não apenas responde à retórica de Rúbio, mas adverte as chancelarias de que a região guarda a memória de suas cicatrizes políticas e rejeita a reedição de posturas de tutela estrangeira.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República