Fux livra Bolsonaro e reduz golpe a seu vice e ajudante de ordens
Ministro absolveu Bolsonaro e outros réus de todas as acusações, condenando apenas Braga Netto e Mauro Cid, e por um único crime
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 10/09/2025 às 22:28 | Atualizado em: 10/09/2025 às 22:28
O voto de mais de 12 horas do ministro Luiz Fux no julgamento do núcleo principal da trama golpista de Bolsonaro contra o Brasil provocou críticas e perplexidade.
Ao apresentar sua posição, o magistrado absolveu Bolsonaro e outros acusados de todas as acusações.
Fux limitou-se a condenar apenas o general e seu vice na eleição de 2022 Walter Braga Netto e seu ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, e mesmo assim por um único crime: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Com isso, Fux esvaziou o alcance do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitando a tese da Procuradoria-Geral da República e de outros ministros que apontam para um complô amplo para derrubar o regime democrático e o presidente eleito Lula da Silva e manter Bolsonaro no poder.
"A remessa de parte dos casos à primeira instância é medida necessária diante das nulidades processuais", afirmou Fux, reproduzindo argumento que, na prática, desmonta a acusação contra Bolsonaro.
Leia mais
Fux se alonga na defesa de Bolsonaro e desafia paciência da população
Reações
Crítica à incompetência declarada por Fux — O ministro afirmou que o STF não teria competência para julgar casos de réus sem prerrogativa de foro, o que implicaria a nulidade de atos já praticados. Juristas alertam que, se aceita, essa tese pode abrir brechas para réus escaparem de punições.
Divergência com o relator Moraes — Alexandre de Moraes reagiu com evidente desconforto, defendendo a manutenção das ações no STF e a condenação ampla, em contraste com a leitura restrita de Fux.
Preocupações com precedentes — Especialistas apontam risco de enfraquecimento da responsabilização institucional e de anulação de processos relevantes.
Alívio no bolsonarismo — Aliados comemoraram a absolvição de Bolsonaro e a redução das condenações, reforçando o discurso de que as acusações eram exageradas.
Críticas da oposição e de entidades civis — Parlamentares e organizações veem no voto de Fux uma forma de “baixar o nível” das punições e minimizar o que consideram um ataque grave à democracia.
Risco estratégico para o STF — A decisão pode desgastar a imagem da corte e alimentar narrativas políticas, além de inspirar recursos que atrasem o fim do processo.
Foto: Alan Santos/Presidência da República
