Eleitor cola com sucesso Master, Pix e Trump em Flávio Bolsonaro
Quaest mostra desgaste do candidato da extrema direita após escândalo com Vorcaro e reforço das narrativas do governo entre eleitores independentes
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 11/06/2026 às 18:36 | Atualizado em: 11/06/2026 às 18:37
A mais recente pesquisa Quaest, deste dia 10 de junho, indica que três temas centrais da disputa política nacional passaram a pesar contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): o caso banco Master, a crise comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e a disputa de narrativas em torno do Pix.
O resultado aparece diretamente refletido na corrida presidencial de 2026, com o presidente Lula da Silva (PT) ampliando sua vantagem sobre o principal nome da extrema direita.
Divulgado nesta quarta-feira (10), o levantamento mostra Lula com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra 38% de Flávio Bolsonaro. Em maio, os dois apareciam tecnicamente empatados.
O movimento mais significativo ocorreu entre os eleitores independentes, grupo considerado decisivo para a eleição.
Nesse segmento, Lula passou de 29% para 37%, enquanto Flávio recuou de 31% para 24%, abrindo uma diferença de 13 pontos percentuais.
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Caso Master produz desgaste
A pesquisa é a primeira realizada após a divulgação das mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O episódio tornou-se um dos principais focos de desgaste da pré-campanha do bolsonarista.
Segundo a Quaest, 65% dos brasileiros avaliam que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar recursos ao banqueiro para financiar o filme “Dark horse”, sobre Bolsonaro.
Além disso, 58% afirmam enxergar indícios de irregularidade ou favorecimento na relação revelada pelas mensagens.
O resultado reforça o impacto político de um caso que já vinha sendo explorado pelo Palácio do Planalto e pela base governista como símbolo da proximidade entre o bolsonarismo e interesses do sistema financeiro.
Tarifaço de Trump vira problema eleitoral
Outro dado relevante é o efeito político das tarifas de 25% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A pesquisa mostra que 47% dos entrevistados concordam com a versão apresentada por Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro teria atuado para estimular ou apoiar as medidas adotadas pelos Estados Unidos.
Apenas 35% aderem à explicação do senador, que nega qualquer participação.
A percepção negativa também alcança os efeitos econômicos da medida.
Para 53% dos brasileiros, o tarifaço representa prejuízo para a economia nacional.
O resultado sugere que a aproximação política do bolsonarismo com Trump, historicamente tratada como ativo eleitoral pela direita, passou a produzir custos políticos quando associada a impactos econômicos concretos sobre o Brasil.
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Pix fortalece narrativa do governo
A pesquisa também mostra vantagem do governo na disputa de narrativas envolvendo o Pix, um dos instrumentos financeiros mais populares do país.
Para 46% dos entrevistados, as tarifas americanas representam uma retaliação ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, tese defendida pelo governo Lula.
Já 36% concordam com a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, que atribui a crise comercial a divergências diplomáticas entre Brasília e Washington.
O dado é considerado relevante porque demonstra maior adesão popular à narrativa construída pelo Planalto em um tema de forte impacto cotidiano para milhões de brasileiros.
Recuperação do governo
Paralelamente ao desgaste de Flávio Bolsonaro, a pesquisa registra melhora nos indicadores do governo federal.
A aprovação da gestão Lula alcançou 47%, impulsionada principalmente por medidas econômicas adotadas nos últimos meses.
No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 29%, uma queda de quatro pontos em relação ao levantamento anterior.
A fotografia captada pela Quaest sugere que, ao menos neste momento, o eleitorado passou a associar mais fortemente ao senador três temas explorados pelo governo: o escândalo envolvendo o banco Master, os efeitos do tarifaço de Trump e a defesa do Pix como símbolo de soberania econômica brasileira.
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Foto: Carlos Moura/Agência Senado
