Fundo Amazônia ganha reforço em pacote ambiental de Lula
Governo anuncia novas medidas para conservação da floresta e desenvolvimento sustentável com foco na Amazônia
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 11/06/2026 às 15:06 | Atualizado em: 11/06/2026 às 15:06
O presidente Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (11 de junho), durante as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente, um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da política ambiental brasileira.
Entre os principais eixos do pacote está a ampliação dos investimentos do Fundo Amazônia, instrumento considerado estratégico para financiar ações de conservação, fiscalização e desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Ao apresentar as medidas no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o Brasil recuperou credibilidade internacional na agenda climática e defendeu o protagonismo do país na proteção das florestas tropicais e na implementação dos compromissos ambientais assumidos após a COP-30, realizada em Belém.
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Fundo Amazônia e o Amazonas
Para o Amazonas, estado que concentra a maior porção contínua de floresta tropical do planeta, o fortalecimento do Fundo Amazônia representa a possibilidade de ampliar investimentos em projetos de bioeconomia, manejo florestal sustentável, recuperação de áreas degradadas, monitoramento ambiental e apoio às populações indígenas, ribeirinhas e extrativistas.
Criado em 2008 e administrado pelo BNDES, o Fundo Amazônia financia iniciativas voltadas à redução do desmatamento e à promoção do uso sustentável dos recursos naturais. Desde sua criação, já apoiou dezenas de projetos na Amazônia Legal.
A expectativa do governo federal é ampliar a capacidade de financiamento de iniciativas ligadas à economia da floresta em pé, tema que ganhou centralidade na política ambiental brasileira e nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas.
Amazônia no centro da estratégia
O anúncio reforça uma diretriz política adotada pelo governo Lula desde o início do mandato: recolocar a Amazônia no centro da política ambiental brasileira e da diplomacia climática internacional.
A retomada dos mecanismos de governança do Fundo Amazônia e a reativação dos aportes internacionais marcaram essa mudança de rumo após a paralisação dos repasses ocorrida entre 2019 e 2022.
Além dos investimentos, o governo destacou a redução dos índices de desmatamento registrada nos últimos anos e afirmou que pretende acelerar ações de combate aos crimes ambientais, restauração florestal e geração de renda sustentável para as comunidades amazônicas.
A estratégia busca consolidar os avanços obtidos na proteção da floresta e na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Disputa política em torno da agenda ambiental
O discurso de Lula também tem forte dimensão política.
Ao destacar a credibilidade ambiental do Brasil, o presidente procura consolidar uma marca de governo associada à preservação da Amazônia, em contraste com a política ambiental do governo bolsonarista, frequentemente criticada por organismos internacionais e entidades ambientais.
Passada a COP-30, realizada em Belém, o governo busca transformar os compromissos firmados durante a conferência em resultados concretos para a região amazônica.
Nesse cenário, a ampliação do Fundo Amazônia reforça o papel estratégico da floresta não apenas para o cumprimento das metas climáticas brasileiras, mas também para a atração de investimentos em bioeconomia, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
Ao mesmo tempo, mantém aceso o debate político sobre os diferentes modelos de exploração econômica e proteção da Amazônia, tema que seguirá no centro das discussões nacionais nos próximos anos.
Foto: divulgação
