COP-30: fala oficial é cassada e em protesto Raoni discursa para 60 pessoas

Líder Kayapó protesta após não receber convite do Brasil para espaço oficial na conferência climática.

Publicado em: 17/11/2025 às 20:09 | Atualizado em: 17/11/2025 às 20:11

O cacique Raoni levou sua luta para dentro da Zona Azul da COP-30, em Belém, mas não da forma que esperava. Sem convite do Brasil para participar da programação oficial, ele falou para apenas 60 pessoas, em um gesto que sua equipe classificou como protesto.

A ausência de espaço incomodou profundamente o Instituto Raoni. Mayalu Kokometi Waura Txucarramãe informou que esperava ver o líder Kayapó em uma fala central da conferência. Ela reforçou que a equipe buscou diálogo, mas não recebeu retorno.

Mesmo com o impasse, o grupo encontrou apoio inesperado. A delegação do Panamá ofereceu estrutura, credenciais e organização para que o discurso ocorresse dentro da Zona Azul. Segundo Juan Carlos Monterrey Gómez, vice-presidente da COP, Raoni merecia ser ouvido ali.

A equipe do cacique enfrentou dificuldades para conseguir credenciais. O Panamá garantiu documentos para cerca de 30 integrantes da comitiva. Antes disso, apenas quatro pessoas tinham autorização para circular pela área restrita, número considerado insuficiente para acompanhar o líder de 93 anos.

O Ministério dos Povos Indígenas contestou as críticas. A pasta afirmou desconhecer qualquer reclamação formal e destacou que trabalhou para garantir a maior presença indígena da história das COPs, com 360 credenciados na Zona Azul.

Ainda assim, a comitiva de Raoni sustentou que não recebeu convite oficial nem espaço adequado. O líder, reconhecido internacionalmente, deixou a conferência convicto de que sua voz deveria ecoar em um palco maior.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil