Blogueiro Alex Braga vai a júri popular por estupro e aborto forçado
Juiz Mauro Moraes Antony pronuncia réu por estupro, aborto sem consentimento e violência psicológica; caso irá ao Tribunal do Júri.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 25/02/2026 às 10:48 | Atualizado em: 25/02/2026 às 10:49
A Justiça do Amazonas determinou que o blogueiro Alex Braga enfrente o banco dos réus do júri popular pelos crimes de estupro, aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante e violência psicológica.
Quem o mandou a júri, nesta terça-feira, 24 de fevereiro, foi o juiz Mauro Moraes Antony.
O assunto promete elevar a temperatura não apenas nos corredores do Judiciário, mas também no meio político.
Por exemplo, Alex Braga será o principal alvo dos debates na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) nesta quarta-feira.
A deputada estadual Alessandra Campelo, que já levou o caso à tribuna anteriormente, exigindo proteção à vítima, voltará a abordar o assunto.
Ela antecipou ao BNC Amazonas que vai usar o espaço, como procuradora da mulher da casa, para pedir pena máxima ao réu.
A decisão
O processo (0576540-07.2024.8.04.0001) tramita em segredo de justiça, mas o magistrado entendeu haver indícios contundentes de materialidade e autoria para submeter o réu ao crivo da sociedade.
Com a sentença, o juiz acatou o pedido formulado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), enviando ao júri popular os crimes previstos nos artigos 125, 213 e 147-B do Código Penal.
A denúncia: abuso, coação e tentativa de suborno
De acordo com a denúncia assinada pelo promotor Marcelo Souza Barros, o pesadelo da vítima começou em março de 2023.
Ela trabalhava como babá na residência de Alex Braga, auxiliando a então esposa do blogueiro no período pós-parto.
Sob ameaças e constrangimento, até com arma de fogo, a mulher foi estuprada e acabou engravidando do patrão.
O MP-AM aponta que, ao tomar conhecimento da gestação, Braga manipulou e coagiu psicologicamente a vítima a ingerir medicamentos abortivos.
O objetivo, segundo a acusação, era “ocultar o crime anterior e impedir o nascimento da criança”.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil revelaram ainda áudios atribuídos ao blogueiro nos quais ele tenta comprar o silêncio da ex-funcionária.
Braga teria oferecido R$ 50 mil para que a vítima retornasse ao município de Jutaí (a 751 quilômetros de Manaus) e fingisse que a violência nunca ocorreu.
A proposta, no entanto, foi recusada por ela.
Alex Braga chegou a ser alvo de prisão temporária no final de 2023, mas foi solto dias depois.
Ele não está condenado nesta fase, contudo, a pronúncia decreta que a responsabilidade penal sobre os crimes contra a vida será decidida por sete jurados manauaras.
Além das sanções penais, o MP-AM exige o pagamento de reparação por danos morais.
Leia mais
Blogueiro Alex Braga é preso na Delegacia da Mulher, em Manaus
Foto: divulgação
