50 anos de Herzog: Justiça militar admite e pede perdão por erros na ditadura
Presidente do STM pediu perdão em ato pelos 50 anos da morte de Vladimir Herzog
Publicado em: 27/10/2025 às 11:06 | Atualizado em: 27/10/2025 às 11:06
Em um gesto inédito na história do país, a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, pediu perdão público às vítimas da ditadura militar (1964–1985) durante ato inter-religioso que marcou os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, realizado na noite de sexta-feira (25), na Catedral da Sé, em São Paulo.
“Peço perdão à sociedade brasileira e à história do país pelos equívocos judiciários cometidos pela Justiça Militar Federal em detrimento da democracia e favoráveis ao regime autoritário”, declarou Maria Elizabeth, que foi aplaudida de pé pelo público.
Foi a primeira vez que a cúpula da Justiça Militar reconheceu oficialmente os abusos cometidos durante o regime.
O evento, organizado pela Comissão Arns e pelo Instituto Vladimir Herzog, recriou a histórica cerimônia de 1975, que reuniu milhares de pessoas em protesto contra a morte do jornalista sob tortura no DOI-CODI.
A nova homenagem contou com a presença de Geraldo e Lu Alckmin, líderes religiosos, artistas e familiares de vítimas.
A atriz Fernanda Montenegro leu uma carta escrita por Zora Herzog, mãe do jornalista, e emocionou o público.
Durante o ato, o Instituto Vladimir Herzog lançou um dossiê com documentos e registros sobre a vida e o legado de Vlado, símbolo da luta pela liberdade e pelos direitos humanos no Brasil.
Preso e morto em outubro de 1975, Herzog teve sua morte falsamente registrada como suicídio — versão desmentida por perícias e reconhecida pela Justiça em 1978 como assassinato sob tortura.
Em 2012, seu atestado de óbito foi retificado, e neste mês a família recebeu oficialmente o novo documento, junto a outras cem famílias de vítimas do regime.
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Foto: reprodução/YouTube
