Porto de Manaus, uma história de retrocesso

A máquina caça-nível que cobra o acesso ao porto é retrato fiel do retrocesso e do improviso

Porto de Manaus, uma história de retrocesso

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/09/2025 às 09:08 | Atualizado em: 23/09/2025 às 10:47

Perto de completar 120 anos de sua inauguração, o Porto de Manaus está em curva de retrocesso, sem cumprir o principal sentido de sua construção e existência: ajudar no desenvolvimento do estado e da capital.

Construído e depois explorado pelos ingleses da Manaos Harbour Ltda., no início do século passado, com a riqueza da borracha amazônica, a obra, hoje, 118 anos depois, virou um improviso de atracação de barcos regionais e navios cruzeiros.

Caminhões, carros, cargas, passageiros turistas disputam espaço sem o mínimo de organização e conforto das pessoas. Assim, tornou-se um espaço de humilhação.

A sensação de quem vai ao Porto de Manaus é que o lugar virou um recorte de uma sociedade medieval e sem regras.

O improviso está na balsa, no asfalto esburacado, na ponte que liga a balsa de atração ao roadway, e em toda a estrutura daquilo que um dia foi atrativo turístico da cidade.

Objetivo é sugar

A máquina caça-nível que cobra o acesso ao porto é retrato fiel do retrocesso e do improviso. Ela funciona num contêiner com aberturas de guichês feitos a terçado. Não há mínimo sinal da modernização que a concessionária se comprometeu a fazer quando recebeu o patrimônio dos amazonenses.

Pior é que manter esse monstrengo custa caro. E esse valor não está apenas na cobrança das altas taxas de acesso ao porto e de atracações de barcos e navios.

Essas cobranças, sem o devido reinvestimento, acabam encarecendo o preço das passagens e das cargas.

Enfim, além do mau serviço que presta, o Porto de Manaus acaba inflacionando a economia do Amazonas.

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O Porto de Manaus precisa, urgentemente, cumprir com sua finalidade e voltar a ser um atrativo turístico da capital. Como está, é uma demonstração de que a privatização do governo FHC, com a empresa detentora da concessão, não deu certo.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur