PF prende policial civil em esquema de roubo de ouro no Amazonas

Operação avança sobre agentes da segurança pública suspeitos de participação em assalto milionário em Manaus. Investigador foi preso.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/06/2026 às 07:59 | Atualizado em: 09/06/2026 às 08:36

A Polícia Federal voltou a mirar agentes da segurança pública do Amazonas nas investigações sobre o roubo de uma carga de ouro avaliada em cerca de R$ 45 milhões.

Na manhã desta terça-feira (9 de junho), policiais federais realizaram diligências em um condomínio de alto padrão de Manaus e prenderam o investigador da Polícia Civil Luciano de Souza Granjeiro em mais uma fase da apuração que busca identificar toda a estrutura criminosa envolvida no caso.

O investigador é do 1⁰ Distrito Integrado de Polícia (DIP) da capital e é apontado pela operação como um dos suspeitos de participação no planejamento e na execução do esquema criminoso.

A Polícia Federal ainda não divulgou oficialmente a identidade dos alvos nem detalhes das medidas judiciais cumpridas nesta etapa da investigação.

Leia mais

Operação da PF em Manaus mira policiais do roubo de R$ 45 milhões em ouro

Roubo teria sido articulado no DIP

As suspeitas são especialmente graves porque parte da investigação aponta que o roubo teria sido planejado e executado com a participação de agentes públicos responsáveis justamente pelo combate ao crime.

Durante as diligências desta manhã, policiais federais também realizaram buscas no 1⁰ DIP e nos arredores do condomínio após receberem informações de que documentos e aparelhos celulares teriam sido descartados pelo policial investigado na tentativa de ocultar provas.

A operação é desdobramento das investigações iniciadas após a apreensão de 72,6 quilos de ouro extraído ilegalmente, carga avaliada em aproximadamente R$ 45 milhões e considerada uma das maiores já registradas no Amazonas.

Leia mais

Três policiais do Amazonas presos por roubar mais de 70 kg de ouro em Manaus

Histórico de policiais envolvidos

O caso ganhou repercussão nacional em outubro de 2025, quando dois policiais militares e um policial civil foram presos sob suspeita de participação no esquema envolvendo o transporte ilegal de ouro.

Desde então, a Polícia Federal passou a investigar a existência de uma associação criminosa mais ampla, com possível participação de outros agentes públicos e colaboradores externos.

No fim de maio deste ano, a PF deflagrou a operação Auxílio Criminoso para aprofundar as investigações sobre o assalto e identificar todos os envolvidos.

Na ocasião, o órgão informou que havia indícios da participação de agentes de segurança e que os investigados poderiam responder por crimes como roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.

Crise de credibilidade da segurança pública

A nova fase da investigação amplia o desgaste das forças de segurança do Amazonas, que nos últimos anos vêm acumulando casos de policiais investigados por envolvimento com facções criminosas, tráfico de drogas, extorsão, roubos e esquemas de corrupção.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, o episódio representará mais um capítulo da infiltração do crime organizado em estruturas estatais responsáveis pela repressão à criminalidade, justamente em uma atividade de alto valor econômico ligada à exploração ilegal de ouro na Amazônia.

A Polícia Federal deve divulgar nas próximas horas um balanço oficial da operação e confirmar as medidas adotadas contra os investigados.

Leia mais no site do governo.

Nota da Redação – matéria atualizada às 8h34 para corrigir o cargo do policial civil do Amazonas preso na ação de hoje. Luciano é investigador, e não delegado, como informado no lançamento desta publicação.

Foto: BNC Amazonas