Teatro Amazonas agora é patrimônio mundial da Unesco
Estiveram no evento Beatriz Calheiro de Abreu Evanovick, Deyvesson Israel Alves Gusmão e Cristina Vasconcelos Nunes.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/07/2026 às 07:21 | Atualizado em: 27/07/2026 às 07:49
O Teatro Amazonas, principal símbolo arquitetônico e cultural de Manaus, passou a integrar a Lista do patrimônio mundial da Unesco. A decisão foi tomada na noite deste domingo (27), durante a 47ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul. Assim sendo, o órgão global conferiu ao monumento amazonense o mais importante reconhecimento internacional destinado a bens culturais.
Reviravolta
A decisão, porém, foi marcada por uma reviravolta. O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), principal órgão consultivo da Unesco para bens culturais, havia recomendado que apenas o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião fossem inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. No entendimento do organismo técnico, somente o conjunto de Manaus apresentava Valor Universal Excepcional suficiente para o reconhecimento.
Durante a sessão, entretanto, a delegação do Líbano apresentou uma emenda defendendo a manutenção da candidatura conjunta com o Theatro da Paz, de Belém. O argumento foi de que os dois teatros representam momentos complementares da modernização da Amazônia durante o ciclo da borracha e que constituem uma mesma narrativa histórica de intercâmbio cultural entre a Europa e a região amazônica.
A proposta recebeu apoio de países como Senegal, Quênia, Tanzânia, Turquia, Polônia, Peru, Ucrânia, Kuwait, Granada, Azerbaijão, Togo e Mongólia.
Apenas a Suíça manifestou apoio explícito ao parecer técnico do ICOMOS.
Ao final da votação, o Comitê aprovou as emendas apresentadas pelo Líbano e decidiu inscrever os conjuntos formados pelo Theatro da Paz e Praça da República, em Belém, e pelo Teatro Amazonas e Largo de São Sebastião, em Manaus, como o bem seriado “Teatros da Amazônia”, reconhecido pelos critérios II e IV da Convenção do Patrimônio Mundial.
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Primeira inscrição cultural da Amazônia brasileira
O reconhecimento representa um marco para o patrimônio histórico nacional. É a primeira vez que um bem cultural localizado na Amazônia brasileira ingressa na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Dessa forma, amplia internacionalmente a percepção sobre a região, tradicionalmente conhecida por seu patrimônio natural.

Após a votação, a delegação brasileira agradeceu ao Comitê e destacou que o reconhecimento evidencia uma Amazônia produtora de cultura, memória, arte e identidade, cujos teatros permanecem vivos e abertos às mais diversas manifestações culturais.
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Israel Alves Gusmão, afirmou que a inscrição representa um marco histórico para o Brasil e para a Região Norte. Segundo ele, os teatros acolhem desde ópera e teatro até carimbó, boi-bumbá, jazz e cinema, tornando-se um símbolo da diversidade cultural amazônica.
Encerrando sua manifestação, declarou:
“Viva o patrimônio cultural da Amazônia.”
Delegação brasileira
O Brasil participou da sessão com uma delegação liderada pelo presidente nacional do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão.
Representando Manaus e o Amazonas esteve a superintendente do Iphan no estado, Beatriz Calheiro de Abreu Evanovick, que acompanhou toda a deliberação na Coreia do Sul. Na transmissão da Unesco, ela aparece com a bandeira do Brasil, torcendo e comemorando a escolha.
Beatriz Evanovick foi a principal entusiasta desde desse movimento. Ela liderou o processo desde 2023, quando assumiu o órgão.

Processo começou em 2023
O reconhecimento internacional é resultado de um trabalho iniciado em dezembro de 2023, quando o Iphan promoveu, em Manaus, a primeira oficina técnica para estruturar a candidatura conjunta dos dois teatros amazônicos.
Na ocasião, participaram representantes dos governos do Amazonas e do Pará, das prefeituras de Manaus e Belém, além de pesquisadores e especialistas em patrimônio cultural. O objetivo era construir um dossiê capaz de demonstrar à Unesco o Valor Universal Excepcional dos chamados Teatros da Amazônia.
Do Pará, a superintendente do Iphan no Pará (IPHAN-PA) Cristina Vasconcelos Nunes também este na delegação brasileira.
Após mais de um ano de levantamentos históricos, arquitetônicos e urbanísticos, o Brasil protocolou oficialmente a candidatura junto à Unesco em 31 de janeiro de 2025. Desde então, o processo passou por missões técnicas, avaliações do ICOMOS e debates até chegar à votação final na Coreia do Sul.
Curiosamente, o principal obstáculo da candidatura surgiu justamente na etapa decisiva. O ICOMOS concluiu que apenas o Teatro Amazonas reunia os requisitos para a inscrição. Coube ao Comitê do Patrimônio Mundial, em decisão soberana, acolher a articulação diplomática liderada pelo Líbano e reconhecer que Manaus e Belém representam, em conjunto, uma mesma narrativa histórica da Amazônia durante o ciclo da borracha.
Foto: reprodução
