Iranduba terá primeiro aterro sanitário do Amazonas
Projeto de R$ 250 milhões da Norte Ambiental marca virada histórica na gestão de resíduos no estado.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/11/2025 às 13:25 | Atualizado em: 03/11/2025 às 13:25
Um marco ambiental e de saúde pública está prestes a mudar a realidade do interior do Amazonas. Iranduba será o primeiro município do estado a implantar um aterro sanitário moderno, substituindo o modelo de destinação de resíduos baseado em lixões a céu aberto, prática ainda predominante na maioria das cidades amazonenses.
O empreendimento, chamado sistema de tratamento e destinação de resíduos (STDR Iranduba), está sendo construído pela iniciativa privada, por meio da Norte Ambiental, na rodovia AM-70, com investimento de R$ 250 milhões.
Fim dos lixões
No Amazonas, a destinação inadequada do lixo urbano permanece como um dos maiores passivos ambientais e de saúde.
Durante décadas, toneladas de resíduos foram despejadas em áreas abertas, sem controle, impermeabilização ou tratamento, gerando chorume, contaminação do solo e de aquíferos, proliferação de doenças e impacto direto na qualidade de vida de comunidades urbanas e rurais.
“Esse modelo é ultrapassado e precisa ser encerrado e substituído por soluções seguras e sustentáveis”, afirmou Winsber Wasques, diretor de operações da Norte Ambiental.
Tecnologia, impermeabilização e energia
Diferente dos lixões, o STDR Iranduba foi projetado segundo padrões internacionais de engenharia ambiental. O solo é impermeabilizado para impedir infiltrações, o chorume é coletado e tratado, e os gases resultantes da decomposição dos resíduos serão captados com possibilidade de geração de energia.
A estrutura contará com monitoramento ambiental 24 horas por dia e operação contínua supervisionada por equipes técnicas.
“No aterro sanitário, nada é deixado ao acaso. É tecnologia, controle ambiental e sustentabilidade trabalhando juntos”, disse Wasques.
Emprego, renda e desenvolvimento regional
Além do impacto ambiental, o projeto tem efeito econômico direto. Na primeira fase, o empreendimento deve gerar cerca de 100 empregos diretos, movimentar fornecedores locais e ampliar a arrecadação municipal e estadual.
“O projeto é um divisor de águas. O resíduo deixa de ser um problema e passa a ser parte da solução, inclusive como fonte de energia”, afirmou o executivo.
Desafio regional e referência para o interior
A iniciativa ocorre num cenário em que a maioria dos municípios da Amazônia Legal ainda opera lixões, mesmo após prazos legais para seu encerramento.
Com isso, Iranduba passa a ser referência estadual em destinação ambientalmente adequada de resíduos sólidos urbanos.
A expectativa do setor ambiental é que o modelo incentive novos investimentos e acelere a regularização da gestão de resíduos em outras cidades da região metropolitana e do interior do estado.
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Foto: divulgação
