Descaso fluvial no Amazonas vira denúncia nacional
O Globo destaca caos na segurança de navegação enquanto famílias de Nova Olinda seguem sem respostas.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 22/02/2026 às 13:57 | Atualizado em: 22/02/2026 às 13:57
O que o BNC Amazonas vem denunciando desde os primeiros minutos do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV agora ganha contornos de escândalo nacional.
Reportagem publicada pelo jornal O Globo neste sábado (21 de fevereiro) expõe as vísceras da navegação na Amazônia: um modelo marcado pela falta de fiscalização, embarcações operando no limite da segurança e uma malha fluvial que, apesar de ser a principal via de transporte da região, é tratada com amadorismo.
Neste nono dia de buscas, a angústia das famílias de Nova Olinda do Norte transbordou em indignação.
A falta de um plano concreto para o içamento da embarcação e a manutenção de uma lista de desaparecidos ainda imprecisa são apontadas como o ápice do descaso.
Enquanto a análise nacional foca na estrutura, nas margens do encontro das águas o foco é o vácuo deixado por quem deveria proteger.
“Navegamos à própria sorte”, desabafou um familiar, resumindo o sentimento de abandono.
O Amazonas em números de naufrágios
O levantamento consolidado pelo BNC Amazonas revela que o naufrágio não é uma fatalidade isolada. Entre 2022 e 2026, houve um aumento de 40% nos acidentes com lanchas rápidas. O déficit é alarmante: estima-se que apenas 3 em cada 10 embarcações que partem de Manaus passem por conferência de carga ou passageiros.
A anatomia da omissão
A disparidade de tratamento é o ponto central da crítica. Enquanto o transporte rodoviário no sul possui protocolos rígidos, os rios da Amazônia permanecem como um ponto cego.
A ausência de postos avançados do Corpo de Bombeiros e da Capitania dos Portos em trechos críticos cria corredores de insegurança onde o lucro da superlotação fala mais alto que a vida.
As famílias exigem hoje o reconhecimento oficial da falha e o envio imediato de balsas capazes de içar a lancha, sem que o custo recaia sobre o luto dos parentes.
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Foto: reprodução
