Ciência e saber ancestral juntos no combate às mudanças climáticas, diz Finep
Às vésperas da COP-30, Luiz Antonio Elias destaca papel estratégico da ciência brasileira e diz que conhecimento ancestral é essencial para enfrentar os desafios ambientais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 04/10/2025 às 15:32 | Atualizado em: 04/10/2025 às 15:32
A ciência e os saberes tradicionais podem caminhar juntos na busca por soluções contra o aquecimento global e as mudanças climáticas. A avaliação é do presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antonio Elias.
Assim, Elias defende o reconhecimento e a valorização do conhecimento de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na formulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
“É inegável que teremos uma elevação da temperatura, e isso trará consequências fundamentais para a qualidade de vida, para a economia e para o próprio planeta”, afirmou Elias, em entrevista à Agência Brasil, na sexta-feira (3), durante evento na sede da Finep, no Rio de Janeiro.
Aos 72 anos, economista e pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Elias foi secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Ele será um dos participantes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), marcada para o período de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).
Ciência e ancestralidade: união de saberes
Elias destacou que a ciência precisa incorporar os conhecimentos ancestrais, reconhecendo o papel dos povos tradicionais na conservação ambiental e na descoberta de soluções naturais.
“Temos que aprender com a ancestralidade e com os conhecimentos tradicionais. Eles já nos mostraram, por exemplo, caminhos importantes nas áreas dermatológica e da biodiversidade, com elementos encontrados na natureza que têm aplicações na saúde”, explicou.
Segundo o presidente da Finep, esse intercâmbio de saberes deve ser amparado por marcos legais, como o Código de Propriedade Intelectual, que prevê o reconhecimento e a repartição de benefícios com as comunidades detentoras de conhecimentos tradicionais.
Identidade e soberania da ciência brasileira
Durante o encontro com representantes do setor científico, Elias também defendeu a construção de uma identidade própria para a ciência brasileira, baseada na valorização de suas potencialidades naturais e regionais.
“Temos a oportunidade de mostrar ao mundo que o Brasil tem capacidade de liderar a transição ecológica, socioambiental e energética. O bioma Amazônia é um elemento decisivo para essa transformação global”, afirmou.
Ele citou ainda a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) como espaço estratégico de integração entre os países amazônicos. “O presidente Lula tem sido claro: sem ciência não há inovação, e sem inovação o Brasil não se desenvolve.”
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Finep e o fortalecimento da agenda climática
Embora a agenda climática não seja o único foco da Finep, Elias destacou que temas como descarbonização, hidrogênio verde, energias renováveis e transição ecológica estão entre as prioridades da instituição.
“A Finep atua em várias frentes — da pesquisa laboratorial à indústria, passando por biodiversidade, saúde e minerais estratégicos. Mas tratar da descarbonização e da transição ecológica é central nas nossas políticas”, afirmou.
Mais recursos e nova fase
O presidente ressaltou que a Finep vive um momento de fortalecimento orçamentário, após anos de restrição de recursos. “Nunca estivemos com tantos recursos como agora, tanto nos instrumentos reembolsáveis quanto nos não reembolsáveis”, disse.
Segundo ele, o avanço foi possível graças a um projeto de lei de iniciativa do governo federal, sancionado neste ano, que permitiu à Finep acessar o superávit financeiro de mais de R$ 22 milhões, antes represado.
Dessa maneira, a medida foi relatada no Congresso pelos senadores Jaques Wagner e Rogério Carvalho, e convertida na Lei nº 15.184/2025.
“Essa é uma determinação do presidente Lula e da ministra Luciana Santos, no sentido de transformar a Finep em uma verdadeira política de Estado, capaz de promover desenvolvimento, inovação e inclusão”, concluiu.
Finep
A Finep é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e tem o papel de financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no país.
Assim sendo, a instituição deve ter papel de destaque na COP-30, que discutirá compromissos globais para conter o avanço das mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Foto: Finep/divulgação
