China ultrapassa o Brasil e se torna a líder mundial na produção de tambaqui 

China lidera a produção industrial em volume, enquanto o Brasil mantém a vanguarda em genética e tecnologia do peixe amazônico.

China ultrapassa o Brasil e se torna a líder mundial na produção de tambaqui 

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/12/2025 às 09:02 | Atualizado em: 14/12/2025 às 09:02

Durante décadas, o tambaqui (colossoma macropomum) foi inequivocamente visto como um tesouro da ictiofauna brasileira. Nativo da vasta bacia amazônica e um pilar da pesca e da piscicultura da região Norte do país, este peixe de água doce ganhou as mesas nacionais, sendo criado em viveiros escavados e comercializado em feiras regionais.

Contudo, essa percepção regionalizada foi eclipsada por um movimento silencioso, mas poderoso, que transformou o tambaqui em uma commodity aquícola de projeção internacional. É o que informa o site GPG.

Hoje, o panorama global da produção de tambaqui é surpreendente: a China ocupa a liderança mundial em volume de produção e exportação, deixando para trás o Brasil, que, apesar de ser o centro de origem e tecnologia da espécie, ficou aquém em escala absoluta.

A ascensão global do peixe amazônico

Essa transição não é fortuita. Ela é o resultado direto de um planejamento industrial agressivo, domínio da escala de produção e integração eficiente com as cadeias globais de proteína aquática.

O tambaqui deixou a esfera de um peixe meramente regional para se tornar uma espécie-chave na aquicultura internacional, impulsionado pela estratégia chinesa.

Por que o tambaqui é tão atraente?

O tambaqui possui características biológicas altamente valorizadas para a aquicultura intensiva:

  • Crescimento rápido e rusticidade: Alcança pesos comerciais significativos em ciclos de cultivo relativamente curtos.
  • Excelente conversão alimentar: Transforma ração em biomassa de forma muito eficiente.
  • Tolerância e adaptação: Suporta variações ambientais, como mudanças nos níveis de oxigênio, e adapta-se bem a sistemas de alta densidade.
  • Carne branca apreciada: Possui uma carne de sabor suave e textura agradável, com alta aceitação pelo consumidor.

Esses atributos tornaram o peixe amazônico ideal para países com tradição em aquicultura de larga escala, como a China, que buscava uma espécie eficiente para abastecer seu gigantesco mercado interno e manter seu status de potência exportadora.

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O modelo chinês: da introdução ao domínio industrial

A China integrou o tambaqui à sua matriz produtiva por meio de um processo estruturado, envolvendo programas de introdução controlada e contínuo melhoramento genético.

O peixe passou a ser cultivado em uma variedade de sistemas, desde tanques escavados até estruturas altamente tecnificadas, adaptadas ao modelo semi-intensivo e intensivo de produção.

O grande diferencial chinês, no entanto, reside na sua capacidade industrial e logística. O país opera com:

  • Produção em larga escala: O volume é o fator-chave, permitindo a otimização de custos.
  • Cadeias logísticas integradas: Do viveiro ao processamento, o fluxo é contínuo e eficiente.
  • Processamento de valor agregado: Foco na industrialização, como filés e produtos congelados, atendendo a demandas globais.
  • Capacidade de exportação contínua: Mantendo um fornecimento estável para o comércio internacional.

Enquanto o Brasil continua a ser o polo de excelência em pesquisa, genética e tecnologia aplicada à espécie, o gigantismo e a organização industrial da China garantiram que o tambaqui, um dos mais importantes peixes nativos da Amazônia, se consolidasse como um dos principais players do comércio global de proteína aquática.

Como resultado, a China ultrapassou o Brasil em volume total produzido, transformando o tambaqui em mais um item do seu portfólio de proteína aquática.

Sendo assim, embora não lidere mais o ranking global em volume, o Brasil segue como referência técnica, genética e científica do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie, domina as técnicas de reprodução induzida, larvicultura e engorda em clima tropical.

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Foto: divulgação/Idam