Caso Master atinge até o agro no sul do Amazonas
Família de Vorcaro cobra devolução de valor que teria sido pago por terras para fins de crédito de carbono.
Publicado em: 29/01/2026 às 13:59 | Atualizado em: 29/01/2026 às 14:01
Uma negociação bilionária envolvendo créditos de estoque de carbono na Amazônia virou disputa judicial após o fracasso do projeto e a contestação da posse da terra no município de Apuí, no sul do Amazonas.
A área, conhecida como Fazenda Floresta Amazônica, foi usada como base para um projeto de carbono que nunca saiu do papel. Mesmo assim, R$ 15 milhões foram pagos antecipadamente ao suposto proprietário, Marco Antonio Melo, segundo ele próprio.
O dinheiro partiu de empresas ligadas à família do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master. Agora, uma dessas companhias afirma que a terra pode ser pública e tenta reaver os valores pagos.
Melo sustenta que a área é particular e diz ter sido enganado. Afirma que, além do sinal em dinheiro, recebeu cotas de fundos lastreados em créditos de carbono que “não valem nada”, em vez dos repasses prometidos.
O Incra afirma que o imóvel pertence à União, integra projeto de reforma agrária e que os negócios são irregulares. A autarquia bloqueou o cadastro da área e informou que já adota medidas administrativas e judiciais.
Com o impasse fundiário e a inexistência de mercado real para os créditos, o projeto foi interrompido. O caso amplia o alcance do escândalo envolvendo o banco Master e expõe a fragilidade de operações bilionárias de carbono baseadas em terras sob disputa na Amazônia.
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
