Observatório vê BR-319 como ameaça à queda no desmatamento

ONG celebra queda no desmatamento, mas afirma que BR-319 ameaça controle ambiental.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 31/10/2025 às 18:38 | Atualizado em: 31/10/2025 às 18:38

Responsável por ação na Justiça Federal que derrubou o licenciamento para o asfaltamento da BR-319, o Observatório do Clima comemorou mais um índice recorde de redução no desmatamento na Amazônia, mas considera a pavimentação da estrada uma ameaça ao controle do desmatamento.

A organização não-governamental (ong) alertou que as reduções ficarão mais difíceis daqui para a frente e mais dependentes de alternativas econômicas que ainda faltam para a região.

“E os setores que lucram com a destruição, acuados, ficarão mais perigosos. Que o digam as reações do agro ao Plano Clima, a pressão do Congresso para derrubar os vetos de Lula ao PL da Devastação e a ameaça de asfaltamento da BR-319, que inviabilizará o controle do desmatamento”, diz.

A ong também alertou que o controle de emissões de gases de efeito estufa precisará cada vez mais ser feito em outros setores.

“O governo dá com uma mão e tira com a outra: o mesmo Lula que reduz a taxa Prodes também força a expansão da produção de petróleo no Brasil, contrariando a ciência e sabotando a COP30”, disse Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.

“A redução do desmatamento não pode servir como justificativa para o Brasil virar um petroestado”, completa.

Taxa histórica

Por outro lado, a ong avalia que a terceira menor taxa de desmatamento da história, divulgada nesta quinta-feira (30/10), é uma conquista da sociedade brasileira e merece ser comemorada.

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“Ela ensina duas lições e lança dois alertas. A primeira lição é que o desmatamento zero está ao alcance e só depende de o governo e a sociedade quererem chegar lá (…) A segunda lição é que o Ibama, afinal, não é ‘contra o governo’, como disse o Presidente da República quando tentava constranger o instituto a liberar a licença para petróleo na Foz do Amazonas”, considera.

Foto: divulgação