Amor de tia vira escudo em meio ao caos no Encontro das Águas

Relato de heroísmo de sobrevivente que salvou sobrinho traz alento às famílias no sétimo dia de buscas por desaparecidos.

Amor de tia vira escudo em meio ao caos no Encontro das Águas

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 19/02/2026 às 10:34 | Atualizado em: 19/02/2026 às 10:34

No coração de uma das maiores tragédias fluviais recentes do Amazonas, um testemunho de bravura emerge como bálsamo para as famílias aflitas.

Relatos de sobreviventes confirmam que, durante os minutos decisivos do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, uma tia transformou o próprio corpo em uma balsa de salvamento para o sobrinho.

Mesmo sob a força das correntezas e o pânico da submersão, ela lutou para manter a criança acima da linha d’água até a chegada do socorro civil.

O gesto, que já circula como símbolo de resiliência, contrasta com o cenário de incertezas que marca esta quinta-feira (19 de fevereiro).

Para os parentes dos seis ou cinco desaparecidos que ainda restam na lista, o exemplo de bravura é o que sustenta a fé de que novos milagres possam ter ocorrido nas margens ou áreas de deriva.

“Não foi força física, foi força de alma”, definem as mensagens de apoio que ecoam o sentimento de que, onde o Estado e a fiscalização falharam, o amor familiar serviu de abrigo.

Indícios a quilômetros do naufrágio

O sétimo dia de operações traz um dado alarmante sobre a força das águas. Uma mochila contendo documentos de um dos desaparecidos foi localizada ontem (18) em uma área significativamente distante do ponto do acidente.

O achado, noticiado pela TV A Crítica, confirma que a correnteza do rio Amazonas está conduzindo pertences, e possivelmente vítimas, para muito além do perímetro inicial de buscas do Corpo de Bombeiros.

Vigília e memória

A narrativa de heroísmo familiar fortalece a rede de solidariedade que hoje financia as buscas paralelas.

Esse movimento civil, que arrecada recursos para combustível de barcos voluntários, é a resposta direta das famílias à lentidão no processo de retirada da lancha do fundo do rio.

O BNC Amazonas dedica este espaço à celebração da vida que resistiu, mantendo a cobrança ativa para que as autoridades não cessem os esforços até que a última resposta seja entregue.

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Foto: reprodução/rede social