Amazônia registra maior aquecimento em 40 anos e alcança nível de alerta climático
Aquecimento no bioma atinge limite crítico previsto no Acordo de Paris; desmatamento de 52 milhões de hectares em 40 anos impulsiona avanço das temperaturas
Da redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/11/2025 às 06:27 | Atualizado em: 05/11/2025 às 06:27
A Amazônia brasileira registrou, em 2024, uma temperatura média 1,5°C acima do normal dos últimos 40 anos — um patamar considerado crítico e que, segundo o Acordo de Paris, não deveria ser alcançado.
O alerta foi divulgado nesta terça-feira pela rede MapBiomas, que apresentou uma linha do tempo de monitoramento climático desde 1985. A informação é do Uol.
De acordo com o levantamento, a temperatura média no bioma no ano passado foi de 27,1°C, a maior já registrada na série histórica. A média para o período entre 1985 e 2024 é de 25,6°C.
Dessa maneira, a análise por estados reforça a gravidade do cenário. Roraima foi o estado que apresentou maior alta em 2024, com temperatura 2°C acima da média. Em seguida aparecem Amazonas e Mato Grosso do Sul, ambos com elevação de 1,7°C.
Segundo os responsáveis pelo estudo, o recorde não é um evento isolado, mas parte de uma tendência de aquecimento acelerado. A temperatura média do bioma vem aumentando 0,29°C por década, ritmo que tende a intensificar os efeitos climáticos extremos nos próximos anos.
Destruição da floresta
Além disso, os dados mostram uma relação direta entre a destruição da floresta e o aumento térmico. Desde 1985, a Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa — o equivalente a 13% de sua cobertura original. Esse desmatamento impulsionou uma elevação média de 1,2°C na temperatura ao longo de quatro décadas.
Desse modo, cientistas alertam que o bioma, peça-chave no equilíbrio climático global, se aproxima de um ponto de não retorno, no qual a degradação pode desencadear mudanças irreversíveis no regime de chuvas, na biodiversidade e no ciclo de carbono.
Assim sendo, as novas informações reforçam a urgência de políticas públicas e ações de conservação mais rigorosas, além do compromisso internacional com metas ambientais para conter o avanço do aquecimento e preservar a maior floresta tropical do mundo.
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Foto: Polícia Federal
