Amazônia: de 31 mil ianomâmis, 75% são crianças e jovens
Levantamento do Unicef expõe o impacto da crise humanitária e do garimpo ilegal sobre a infância
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/10/2025 às 09:34 | Atualizado em: 16/10/2025 às 09:37
Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizado em parceria com a Hutukara Associação Yanomami (HAY), revelou que 75% da população Yanomami no Brasil é composta por crianças e jovens com menos de 30 anos.
Ao todo, a pesquisa estima que existam cerca de 31 mil Yanomamis vivendo em 376 comunidades localizadas nos estados de Roraima e Amazonas — dentro do maior território indígena demarcado do país, criado em 1992.
O levantamento, considerado o mais abrangente já feito sobre o tema, reuniu documentos, depoimentos e estudos antropológicos para compreender como os Yanomamis vivenciam a infância e quais são os principais desafios nas áreas de saúde, educação, proteção e nutrição.
Nos últimos anos, porém, a explosão das invasões de garimpeiros ilegais provocou uma grave crise sanitária e humanitária. Como consequência, o governo federal decretou emergência no território em janeiro de 2023, após o aumento expressivo de casos de malária, desnutrição e contaminação por mercúrio.
A deterioração do sistema de saúde agravou ainda mais o cenário, resultando em doenças e mortes infantis.
“As crianças, especialmente de 0 a 5 anos, são as mais impactadas em momentos de grande crise sanitária ou de desestruturação do serviço de saúde, como ocorreu durante a última grande invasão garimpeira, em 2023”, destacou a antropóloga Ana Maria Machado, consultora do estudo.
Ela lembrou que, no início dos anos 2000, o atendimento básico de saúde conseguiu erradicar a malária no território Yanomami, graças à resposta rápida nas comunidades.
“Se começava uma tosse ou se diagnosticava a malária, eram tratadas rapidamente. Isso evitava deslocamentos longos e complicações graves”, afirmou.
Para Gregory Bulit, chefe de emergência do Unicef no Brasil, o levantamento vai além de um simples retrato da crise: é um chamado à ação.
“O estudo não é apenas um diagnóstico, mas um chamado para que todos participem da construção de políticas públicas que respeitem a diversidade, a dignidade e os direitos das crianças e jovens indígenas”, ressaltou.
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