Amazonas registra queda de 32% no desmatamento
Apesar do recuo histórico em fevereiro, especialistas alertam que pressão da agropecuária e novos decretos de redução de reserva legal mantêm o estado em alerta.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/03/2026 às 17:56 | Atualizado em: 29/03/2026 às 17:56
O estado do Amazonas apresentou uma redução significativa de 32% no desmatamento entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.
Segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a área de floresta derrubada no período foi de 200 km², um recuo considerável em comparação aos 296 km² registrados no intervalo anterior.
O cenário local reflete uma tendência positiva em toda a Amazônia Legal. Em fevereiro de 2026, a região registrou o menor índice de desmatamento para o mês nos últimos oito anos. Como informa o g1.
No entanto, o otimismo é moderado: mesmo com a queda, o Amazonas permanece como o segundo estado mais afetado pela destruição florestal, ficando atrás apenas do Pará.
O peso da região Amacro
A persistência do Amazonas no topo do ranking de devastação é atribuída, em grande parte, à pressão sobre áreas públicas e ao avanço da fronteira agropecuária.
O foco principal de preocupação é a região conhecida como Amacro (zona de divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia), onde a atividade econômica intensiva mantém os índices de degradação elevados.
Para Carlos Souza Jr., pesquisador e coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, o controle desses números é uma questão de sobrevivência climática.
“A queda no desmatamento é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas, que têm intensificado eventos extremos como secas e tempestades”, afirma o especialista.
Contradições nas políticas ambientais
Apesar dos dados favoráveis de monitoramento, o cenário jurídico-ambiental do estado enfrenta novos desafios. Um decreto publicado pelo governo do Amazonas em agosto de 2025 tornou-se ponto de debate entre ambientalistas.
A medida, que complementa o Programa de Regularização Ambiental, permite a redução da Reserva Legal em áreas de floresta de 80% para até 50%.
Na prática, a nova norma autoriza proprietários de terras a diminuir a parcela de vegetação nativa obrigatória, o que pode abrir caminho para novas frentes de exploração legalizada em um momento em que a preservação é apontada como prioridade global.
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Foto: arquivo/Ipaam
