Bancada do Norte se divide sobre destino de Bolsonaro no STF
Parlamentares do Norte divergem sobre julgamento de Bolsonaro no STF, entre críticas de perseguição e defesa da responsabilização democrática.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 01/09/2025 às 18:36 | Atualizado em: 01/09/2025 às 19:32
O Supremo Tribunal Federal (STF) abre nesta terça-feira (2/9) o julgamento que pode consolidar a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e sentenciá-lo, com duras penas, pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
O processo será conduzido pela Primeira Turma da STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. As sessões de julgamento estão previstas até 12 de setembro.
Um resultado desfavorável a Bolsonaro pode consolidar sua inelegibilidade até 2030, reconfigurando as estratégias da direita para a disputa presidencial de 2026.
Enquanto isso, no Congresso Nacional, as vozes do Norte se dividem: de um lado, aliados que denunciam perseguição. De outro, petistas que defendem a responsabilização como necessária à democracia.
Isso reflete bem polarização nacional entre direita e esquerda, governo Lula x oposição do grupo bolsonarista.
Dessa forma, deputados do Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e Amapá expõem suas expectativas com relação ao julgamento do ex-presidente. Além de críticas e defesa do Supremo.
Da bancada do Amazonas, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) foi às redes sociais dizer que o julgamento de Bolsonaro é uma farsa e que condena a democracia brasileira.
“O julgamento que vai acontecer amanhã não vai passar de um teatro com toga”, declarou.
Enfrentamento ao sistema
Na mensagem, o parlamentar esclareceu que o Supremo Tribunal Federal vai citar leis fora do contexto, falar de democracia, proteção do estado democrático de direito, numa grande atuação para calar a oposição no Brasil.
“O alvo não é só o Bolsonaro, como você está pensando. Eles querem condenar qualquer um que ouse enfrentar o sistema. É só pensar nas condenações do 08 de janeiro, eles querem criar um verdadeiro sentimento de medo na população. O medo quer imperar no nosso país, isso é ditadura”, afirmou.
Sem base jurídica
Desse modo, Alberto Neto, afirma ainda que o julgamento de amanhã tem um único objetivo: calar Bolsonaro, assim como calar qualquer brasileiro livre.
“Só que a gente não vai aceitar isso calado não. No dia 7 de setembro, vamos tomar as ruas do nosso país, vamos dizer fora Moraes porque quem está sendo condenado não é o Bolsonaro, quem está sendo condenada é a democracia brasileira”, enfatizou Capitão Alberto Neto.
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Por sua vez, outro bolsonarista, o senador Marcos Rogério (PL-RO) também questionou a legitimidade do processo:
“Esse julgamento não tem base jurídica suficiente. É pura motivação é política”, declarou o parlamentar rondoniense.
Impeachment de Moraes
No mesmo campo, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) reforça a crítica ao Judiciário.
“Só tenho a lamentar que no sistema judiciário brasileiro não há mais a hombridade, por parte de alguns ministros, de se julgarem suspeitos quando atuam num processo que envolve amigos, antigos chefes, desafetos de ex-chefes ou parceiros de longas datas. É o caso desse julgamento vergonhoso do ex-presidente Bolsonaro. É lamentável ter que assistir tamanho vexame”, declarou o senador amazonense.
Foto: Gustavo Moreno/fotospúblicas
