A origem das ideias de esquerda e direita na Revolução Francesa

Como a disposição dos deputados em 1789 deu origem aos conceitos políticos que ainda usamos hoje.

A origem das ideias de esquerda e direita na Revolução Francesa

Por Plínio César Coelho*

Publicado em: 08/10/2025 às 09:19 | Atualizado em: 08/10/2025 às 09:19

A divisão clássica entre esquerda e direita surgiu durante a Revolução Francesa, na Assembleia Nacional Constituinte de 1789, quando os deputados se posicionaram fisicamente conforme suas ideias.

À direita, reuniam-se os monarquistas e conservadores, principalmente nobres e clérigos, que defendiam a manutenção da monarquia, dos privilégios tradicionais e da ordem social hierárquica do antigo regime.

Para eles, o rei deveria conservar autoridade significativa, e a propriedade privada deveria ser mantida tal como existia, incluindo direitos feudais e privilégios ligados à nobreza.

À esquerda, estavam os burgueses do terceiro Estado, intelectuais e representantes do povo, que defendiam a igualdade jurídica, o fim dos privilégios feudais e clericais, a soberania popular e, mais tarde, a instauração da república.

Eles também defendiam a propriedade privada, mas de maneira diferente: garantida a todos os cidadãos livres, sem privilégios de nascimento ou hierarquia social, protegendo a livre iniciativa e o esforço individual.

Assim, a esquerda buscava equilibrar direitos individuais com justiça social, enquanto a direita queria preservar privilégios históricos e a autoridade do rei.

Apesar de ser considerado um dos grandes inspiradores da esquerda, Karl Marx (1818–1883) não se via como um homem “de esquerda”.

O próprio Marx, em correspondências analisadas por Raymond Aron, filósofo e cientista político francês, e publicadas pelo historiador e arquivista russo David Riazanov, rejeitava qualquer rótulo político.

Aron interpretou essas fontes históricas, mostrando que Marx se distanciava das esquerdas reformistas de seu tempo, centradas apenas no poder político, enquanto sua crítica buscava transformar as bases econômicas e estruturais da sociedade.

• Marx se via, portanto, não como militante político, mas como crítico científico da ordem social existente, comprometido com a transformação das condições materiais da sociedade.

A ideologia

O uso ideológico contemporâneo dos termos “esquerda” e “direita” consolidou-se no século 19, após as revoluções de 1848 e o avanço dos movimentos socialistas e trabalhistas na Europa.

  • Desde então, “esquerda” passou a representar ideias de igualdade e justiça social, enquanto “direita” defendeu a propriedade privada e a ordem conservadora.

Compreender essa origem histórica ajuda a perceber que a polarização política contemporânea é fruto de um longo processo: iniciado não como disputa partidária, mas como uma luta por visões distintas de poder, liberdade e sociedade, que ainda moldam o pensamento político e a forma como nos relacionamos com o Estado e a cidadania.

*O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.

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