Senador diz que ajuda da Noruega não sustenta a Amazônia
Publicado em: 27/06/2017 às 16:36 | Atualizado em: 27/06/2017 às 16:36
O senador Cidinho Santos (PR-MT) registrou em Plenário a recente visita do presidente da República, Michel Temer, à Noruega, ocasião em que o país nórdico anunciou corte de investimentos para a preservação da Amazônia.
Segundo o senador, os recursos enviados pela Noruega não são o que sustentam a política ambiental brasileira, nem as ações de vigilância naquela área. Ele explicou que é o Fundo da Amazônia, administrado pelo BNDES, que financia 89 projetos na Região Amazônica.
A Noruega é o maior doador do Fundo com aproximadamente R$ 3 bilhões.
Cidinho Santos (foto) também afirmou que, ao contrário da Noruega, o Brasil é um país sustentável, com mais de 60% de território preservado. Embora considere importantes os investimentos daquele país, o senador disse ser necessário preservar a soberania nacional.
“A Amazônia é um patrimônio do Brasil em primeiro lugar. É nossa responsabilidade preservá-la e explorá-la de melhor forma possível, com sustentabilidade, dando qualidade de vida para a população que ali vive e gerando riqueza para todos os brasileiros”.
Após uma queda de 15% em 2014, a taxa de desmatamento na Amazônia — a quantidade de terras que têm toda a cobertura vegetal destruída anualmente — teve um aumento de 24% em 2015 e, em seguida, de 29%, segundo dados preliminares de 2016. As informações são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Acordo
Em 2009, o governo brasileiro fechou um acordo com a Noruega para que ela investisse no Fundo Amazônia, o que fez com que o país se tornasse o maior contribuidor da iniciativa.
O país nórdico já investiu quase R$ 3 bilhões em projetos de preservação e proteção de povos indígenas e da Amazônia — o Brasil recebia o equivalente a R$ 400 milhões por ano. Mas, há cerca de três anos, os índices de desmatamento passaram a aumentar e os noruegueses começaram a questionar as políticas de conservação.
O ministro norueguês do Meio Ambiente, Vidar Hegelsen, afirmou que os cortes representarão R$ 166 milhões a menos para o fundo neste ano de 2017.
Alemanha
De acordo com a revista Exame, a Alemanha poderá suspender a ajuda ao Fundo Amazônia se o Brasil não reverter o aumento do desmatamento registrado nos últimos dois anos.
Esta é a mensagem que o principal negociador de mudança climática da Alemanha, Karsten Sach, transmitiu a altos integrantes do governo brasileiro com quem se reuniu em visita a Brasília iniciada nesta segunda-feira, 26.
“A Alemanha continuará contribuindo ao Fundo Amazônia somente se os índices de desmatamento diminuírem”, disse Sach, em entrevista à Bloomberg em Brasília. “Para continuar gastando dinheiro público, precisamos ter certeza de que os resultados são reais.”
A cobrança da Alemanha surge dias após a Noruega anunciar, em plena visita do presidente Michel Temer a Oslo, um corte de 50% nos repasses ao Fundo Amazônia, criado em 2008 para captar recursos destinados à conservação da floresta e prevenção do desmatamento.
A Alemanha, que já contribuiu com mais de US$ 28 milhões, é o segundo maior doador após a Noruega.
Fonte: Agências e Inpe
Fotos: Agência Senado/Gazeta do Povo

