Para Maria Eunice
Publicado em: 17/12/2008 às 00:00 | Atualizado em: 17/12/2008 às 00:00
Ivânia Vieira*
A edição de A CRÍTICA, de 28 de agosto último, mostrou uma cena insólita: juízes nas ruas de Manaus panfletando em defesa do voto ético. Fotógrafos registraram essa atitude, rara na história da Justiça Eleitoral local. Ari Moutinho, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), e Maria Eunice Torres do Nascimento, presidente do pleito eleitoral deste ano, abordando pedestres e motoristas sobre a importância de votar eticamente. Da mobilização também participaram Carlos Queiroz e Gildo Carvalho, juízes da propaganda eleitoral.
Para os habitantes de Manaus, a notícia parecia indicar um novo e bom momento. A retomada da reconciliação da Justiça com ela mesma na versão maiúscula. Não se vai à rua pedir a eleitores ética no voto impunemente. Tem troco e tem cobrança. Principalmente quando os atores do convite público são magistrados.
A Justiça Eleitoral do Amazonas está sendo cobrada. Sua conduta é avaliada pelos juízes da rua, do meio do povo. As manifestações de apoio às ações da juíza Maria Eunice Torres são parte de um ensaio maior. A maioria das pessoas participantes desse movimento tem história de luta em defesa da liberdade, da democracia e do aprimoramento desta. Não é ‘filha da ficha trocada por favores pessoais’. São mulheres e homens dignos, portadores de esperança e da determinação de construir boas mudanças.
O embate ora travado no TRE-AM é outro ato do exercício para vencer a anomalia. Pior é quando se faz silêncio entre os homens e as mulheres da Justiça; pior é a harmonia das falas desse Poder. Nessa perspectiva, é um cancro, mina o organismo e mata.
As decisões de ontem do Pleno do TRE expõem contradições espetaculares. Elas vão ganhar as ruas e produzir questionamentos à Justiça, independente da vontade desse ou daquele juiz. Mesmo com a dança da vitória passageira, a sentença avança além da condenação de eleitos, para cobrar publicamente os que vestem a toga.
Jornalista, professora da Ufam.
