Manah Manaós
Publicado em: 24/10/2008 às 00:00 | Atualizado em: 24/10/2008 às 00:00
Maio/1991
Manah Manaós
De longe te vejo
Do alto da hiléia habitada
Num fim de tarde de maio
Na hora do rush citadino.
Teus arranha-céus em meio à floresta
Tuas obras faraônicas.
O verde se confunde com o granito
Num céu cinzento de fumaça industrial.
Goles de cerveja te observam, vislumbram
O paisagismo vesperal
Sem pensar, sem refletir
Sobre o caos que espelha em tua face.
Favelados, loucos mal tratados
Operários escravos da zona
Que nada tem de franca.
Manah, Manaós!
Calcutá dos trópicos,
Ecológica por excelência
Governada por Boto
Parido da corrupção e da mentira.
Alguém de te viu e vê como tu és
Mesmo que seja numa tarde de sol poente.
* Jornalista, correspondente do jornal A Crítica em Brasília (DF)
