Mirando Cidade, David Almeida chama Wilson Lima de dublê

Agora candidato, Almeida transforma o governador e o ex em alvo único e afirma que o Amazonas vive “o pior momento administrativo da história”

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/07/2026 às 21:43 | Atualizado em: 23/07/2026 às 21:55

O candidato a governador David Almeida (Avante) transformou a convenção desta quinta-feira (23 de julho) em um ataque direto ao grupo político liderado pelo ex-governador Wilson Lima (União Brasil).

Embora o principal adversário na disputa pelo comando do estado seja o governador Roberto Cidade (União Brasil), Almeida procurou fundir politicamente as duas figuras, apresentando Cidade como continuidade do governo anterior.

A estratégia ficou explícita na reta final do discurso na convenção, quando afirmou que um eventual governo de Cidade representaria, na prática, um terceiro mandato de Lima.

“Alguém aqui em sã consciência daria um terceiro mandato de governador para o Wilson Lima? (…) Prestem atenção: o nome dele nesta eleição é Roberto Cidade”.

Ao longo de aproximadamente 26 minutos de fala, Almeida citou diversas vezes a gestão de Lima para atingir diretamente o atual governador.

Em um dos momentos mais duros do discurso, chamou o ex-governador de “dublê” de personagem de televisão.

“Tinha um cidadão, um dublê… Tinha um personagem de televisão que passava três horas por dia fazendo vídeo. Ele tinha solução para tudo”.

Na sequência, atribuiu ao governo Lima os principais problemas da administração estadual, como os indicadores da educação, a situação da saúde pública e a segurança.

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Cidade e Lima, um único CPF

A construção política do discurso consistiu em apresentar Cidade como herdeiro integral da gestão Lima.

O candidato lembrou que Lima comandou o estado durante quase oito anos, criticou o volume de recursos arrecadados e de empréstimos contratados, questionou a entrega de obras estruturantes e retomou episódios que marcaram aquele governo, como as operações da Polícia Federal e o colapso da saúde durante a pandemia de covid-19.

Ao mencionar Cidade, fez referência direta ao apoio político recebido do ex-governador.

“O cidadão que está concorrendo conosco é liderado por um sujeito que teve 12 operações da Polícia Federal no seu governo”.

Depois, elevou o tom ao citar a denúncia criminal envolvendo Wilson Lima.

“Como é que eu posso ter a minha mão erguida por um sujeito que, segundo o STJ, é réu por ser o chefe de uma organização criminosa?”.

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“O pior momento administrativo”

O candidato também procurou transformar a eleição em um julgamento da atual administração estadual.

Segundo ele, o Amazonas atravessa “o pior momento administrativo da história”.

A crítica foi construída principalmente sobre três eixos: saúde, educação e segurança pública.

Almeida afirmou que pretende ser “a voz” dos pacientes que aguardam medicamentos, das pessoas na fila do Sisreg, dos profissionais da segurança e dos servidores estaduais que, segundo ele, enfrentam atrasos em direitos funcionais.

Também citou pacientes aguardando cirurgias, problemas no abastecimento de medicamentos e dificuldades enfrentadas pelas comunidades do interior.

Comparação entre prefeitura e governo

Uma das linhas centrais do discurso foi comparar os resultados obtidos durante sua gestão na Prefeitura de Manaus com a realidade do Governo do Estado.

O ex-prefeito lembrou que a capital concentra cerca de 55% da população amazonense e comparou os orçamentos das duas administrações.

Segundo ele, enquanto a prefeitura administra cerca de R$ 11 bilhões por ano, o estado dispõe de aproximadamente R$ 45 bilhões.

A partir dessa comparação, defendeu que conseguiu entregar mais resultados administrando menos recursos.

E citou exemplos:

•⁠ ⁠obras de infraestrutura no bairro Novo Aleixo;
•⁠ ⁠reforma de unidades de saúde;
•⁠ ⁠construção de parques e complexo viário;
•⁠ ⁠melhoria da educação municipal;
•⁠ ⁠reconhecimento nacional da merenda escolar;
•⁠ ⁠desempenho da atenção básica de saúde.

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Desafio aos adversários

Ao citar as obras realizadas em Manaus, especialmente no Novo Aleixo, zona leste, afirmou que o eleitor pode comparar os currículos administrativos dos concorrentes ao governo.

“Se qualquer um dos candidatos fez mais por Manaus e pelo Novo Aleixo do que nós fizemos, votem neles”.

Da bandeira ao governo

Em tom pessoal, Almeida relembrou sua trajetória política.

Disse que iniciou a vida pública, em 1996, apenas balançando bandeiras e distribuindo santinhos em campanhas eleitorais.

A narrativa serviu para reforçar a ideia de ascensão política construída pelo trabalho.

Também utilizou referências bíblicas durante praticamente toda a fala.

Começou citando o livro de Lamentações e encerrou fazendo uma analogia entre sua trajetória e a história do rei Davi, afirmando que, assim como o personagem bíblico, passou por um período de recolhimento antes de voltar para uma nova missão.

Segundo ele, o período sem mandato representou sua “caverna de Adulão”, de onde pretende mobilizar um novo grupo político para disputar o governo.

Na conclusão do discurso, Almeida voltou a pedir mobilização de seus apoiadores no interior do estado e encerrou repetindo a principal mensagem política da convenção.

“O Amazonas precisa sair das mãos dos incompetentes. Que Deus abençoe todos vocês”.

Foto: reprodução