Lula reage a novo tarifaço de Trump e promete reciprocidade
Planalto classifica novas tarifas dos EUA como arbitrárias, aciona a OMC e promete aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 23/07/2026 às 18:55 | Atualizado em: 23/07/2026 às 18:55
O governo do presidente Lula da Silva (PT) endureceu o discurso contra a decisão dos Estados Unidos de ampliar o tarifaço sobre produtos brasileiros e anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica para responder às novas barreiras impostas pela administração de Donald Trump.
A reação foi divulgada nesta quinta-feira (23 de julho), poucas horas após Washington confirmar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como “completamente arbitrária e injustificada” e afirmou que os Estados Unidos recorreram a argumentos sem sustentação para justificar uma política comercial de caráter protecionista.
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A nova tarifa foi fundamentada pela administração Trump em investigação sobre supostas falhas brasileiras no combate ao trabalho forçado.
O governo brasileiro, porém, afirma que prestou todas as informações solicitadas durante a investigação e apresentou ampla documentação sobre a legislação nacional e a atuação das autoridades responsáveis pela fiscalização e repressão ao trabalho escravo contemporâneo.
A nota também ressalta que o Brasil é reconhecido internacionalmente por suas políticas de combate ao trabalho forçado, tendo ratificado 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), contra apenas dez dos Estados Unidos.
Segundo o governo, o país também aderiu aos quatro principais instrumentos internacionais da OIT sobre o tema, enquanto os EUA ratificaram somente um deles.
Resposta será jurídica e comercial
Além de acionar a OMC, o governo informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
A legislação permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras consideradas discriminatórias ou incompatíveis com as normas internacionais de comércio.
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A resposta do Planalto eleva o tom da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos e sinaliza que o governo Lula pretende enfrentar a ofensiva da Casa Branca tanto no campo diplomático quanto no jurídico.
A ampliação do tarifaço ocorre em meio ao processo eleitoral brasileiro e aprofunda uma disputa que ultrapassa a economia, alcançando o debate sobre soberania nacional, respeito às regras multilaterais do comércio e os limites do uso de instrumentos econômicos por uma potência estrangeira em relação a outro país democrático.
Veja a nota do governo
Foto: Ricardo Stuckert/PR
