Lula quis reduzir tarifas, mas rejeitou negociar pix e relação com a China

Governo Lula propôs ampliar abertura comercial e discutir etanol, mas manteve fora das negociações temas considerados estratégicos

Publicado em: 17/07/2026 às 21:50 | Atualizado em: 17/07/2026 às 21:50

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou aos Estados Unidos uma proposta com concessões comerciais para tentar evitar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada por Washington. O plano prevê a redução de tarifas de importação sobre cerca de 300 produtos e a abertura de negociações sobre o mercado de etanol.

Elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e entregue ao governo norte-americano no início de julho, a proposta buscava ampliar o acesso de produtos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro em setores onde há baixa produção nacional, como máquinas, equipamentos e tecnologia da informação.

Em contrapartida, o Brasil condicionou qualquer concessão sobre o etanol à redução das tarifas impostas pelos EUA ao açúcar brasileiro, atualmente superiores a 100% para exportações acima da cota anual.

Apesar da disposição para negociar temas comerciais, o governo estabeleceu limites considerados inegociáveis. Ficaram fora das conversas mudanças envolvendo o Pix, restrições a investimentos em minerais críticos e qualquer compromisso que afetasse a autonomia brasileira na relação comercial com a China.

Segundo o governo, os Estados Unidos pressionaram por uma abertura mais ampla do mercado brasileiro, incluindo setores industriais, químicos, automotivos e digitais, sem apresentar contrapartidas equivalentes. Diante desse cenário, o Planalto manteve a posição de preservar políticas públicas estratégicas e a liberdade do país para definir seus parceiros comerciais e de investimento.

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

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