Amazônia: crime organizado avança e dita desafios na BR-319

Editorial de O Globo destaca o avanço das facções criminosas na região amazônica e o papel da rodovia federal.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 15/07/2026 às 09:28 | Atualizado em: 15/07/2026 às 09:29

A expansão do crime organizado na Amazônia deixou de ser apenas um problema de segurança pública para se consolidar como um grande desafio à estrutura institucional.

A infiltração em diferentes esferas locais faz imperar a governança do crime, realidade fortemente impulsionada pelo peso econômico do narcotráfico em toda a região.

Nesse cenário de fragilidade e disputa territorial, a rodovia BR-319, que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia, é reiteradamente citada como um vetor logístico crítico.

Embora fundamental para a integração terrestre e o escoamento de insumos que abastecem, por exemplo, o polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), a via também facilita o acesso a áreas antes intocadas.

Sem o devido controle do Estado, a estrada potencializa o desmatamento, a grilagem de terras e o garimpo ilegal na região de rios como Purus e Madeira.

A percepção das autoridades, incluindo posições expressas por qualquer presidente, diretor ou procurador envolvido na fiscalização da área, é unânime: os delitos ambientais e o crime organizado se sobrepõem.

Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) dominam rotas estratégicas, exigindo novas respostas dos agentes públicos.

Leia mais

Contexto internacional

O Brasil não possui plenas condições de enfrentar essa problemática sem a intensa troca de inteligência com vizinhos como Colômbia, Peru, Bolívia e Venezuela.

A recente pressão dos Estados Unidos de Donald Trump, que passa a classificar as principais facções como ameaças globais, cria uma janela de oportunidade para ampliar tal colaboração.

Leia mais

Ações coordenadas e segurança

A resposta institucional demanda integração e o fortalecimento de órgãos estratégicos. A atuação do Ibama na repressão aos crimes ambientais, assim como o planejamento econômico coordenado pela Suframa e as articulações do setor privado por meio da Fieam, são componentes de um mesmo ecossistema de defesa e desenvolvimento regional.

O editorial analisado evidencia que ignorar a complexidade do uso da BR-319 é prolongar a vulnerabilidade da Amazônia.

Transformar a rodovia em um verdadeiro símbolo de integração nacional requer a eliminação do controle exercido pelas facções criminosas, garantindo que o direito e o desenvolvimento sustentável prevaleçam sobre a ilegalidade.

Leia o editorial na íntegra no O Globo.

Foto: divulgação