Braga tenta tomar eleição de Adjuto Afonso com Thiago Abrahim

Senador do MDB articula candidatura alternativa à de Adjuto Afonso na eleição extraordinária desta quarta-feira; presidente interino diz estar tranquilo e prevê vitória com até 17 votos

Braga tenta tomar eleição de Adjuto Afonso com Thiago Abrahim

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/07/2026 às 08:47 | Atualizado em: 15/07/2026 às 08:51

A eleição extraordinária que definirá o novo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), marcada para a tarde desta quarta-feira (15), ganhou nas últimas horas um ingrediente de bastidor que promete movimentar os corredores do Parlamento.

Segundo fontes ouvidas pelo BNC Amazonas, o senador Eduardo Braga (MDB) assumiu pessoalmente a articulação para tentar eleger o deputado estadual Thiago Abrahim (MDB) ao comando da Casa. É uma ofensiva para enfrentar a candidatura do presidente interino Adjuto Afonso (União Brasil). Este é o nome que conta com o apoio do governador Roberto Cidade (União Brasil).

Ordem do SFT

A eleição foi convocada em cumprimento à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a realização de um novo pleito para a presidência da ALE-AM.

Braga entrou pessoalmente nas articulações

De acordo com uma das fontes consultadas pela reportagem, Braga não delegou a operação.

Além de reunir deputados e conversar diretamente com parlamentares, o senador teria acionado dirigentes nacionais de partidos para tentar convencer deputados estaduais a reverem compromissos já assumidos com Adjuto Afonso.

Um dos episódios narrados pela fonte envolve o deputado João Luiz (Republicanos).

Segundo o relato, Braga conversou com presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para tentar influenciar o voto do parlamentar. Este, porém, já declarou apoio público a Adjuto e não deve recuar.

Ainda conforme a fonte, a direção nacional teria reconhecido a legitimidade do pedido, mas ponderado que João Luiz já havia empenhado sua palavra ao grupo governista.

Alessandra Campêlo participa das conversas

As articulações também envolveriam a deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD), anunciada por Omar Aziz (PSD) como pré-candidata a vice-governadora em sua chapa.

Ela teria participado das conversas ao lado de Braga e de Thiago Abrahim na tentativa de ampliar o número de apoios ao MDB.

O movimento busca atrair votos principalmente entre deputados que hoje integram ou orbitam a base do governo Roberto Cidade.

Leia mais

Após garantir maioria pró-Adjuto, ALE-AM marca eleição extra

Thiago também entrou em campo

Segundo os relatos obtidos pelo BNC, o próprio Thiago Abrahim também passou a procurar colegas nas últimas horas.

A avaliação entre parlamentares próximos ao governo é que a movimentação representa uma tentativa de construir uma candidatura competitiva de última hora. Apesar disso, até a manhã desta quarta-feira, o favoritismo permanecesse com Adjuto Afonso.

Governo mantém confiança

A reportagem conversou nesta quarta-feira com Adjuto Afonso, que afirmou receber com tranquilidade as movimentações de bastidor.

Sem demonstrar preocupação, o presidente interino afirmou esperar uma vitória confortável.

“Estou tranquilo. A expectativa é de conquistar entre 16 e 17 votos.”

Caso esse placar se confirme, Adjuto ampliaria significativamente a maioria construída nos últimos dias, consolidando apoio muito acima dos 13 votos necessários para vencer numa Assembleia composta por 24 deputados.

O mapa da disputa

Nos bastidores, a disputa reproduz, em parte, o ambiente da sucessão estadual de 2026.

De um lado, está o grupo ligado ao governador Roberto Cidade, formado principalmente por parlamentares do União Brasil, além de aliados do Podemos, Republicanos, Avante e legendas próximas ao PL.

Do outro, aparece um núcleo formado por deputados do MDB e PSD, partidos que sustentam as pré-candidaturas de Eduardo Braga ao Senado e Omar Aziz ao Governo do Amazonas.

Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, a tentativa de eleger Thiago Abrahim também teria um significado político mais amplo: evitar que o grupo governista mantenha o controle simultâneo do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa às vésperas da campanha eleitoral.

Eleição terá reflexos para 2026

Embora oficialmente restrita ao cumprimento da decisão do STF, a eleição desta quarta-feira passou a ser vista como um primeiro grande teste de força entre os grupos que disputarão o comando político do Amazonas em 2026.

Uma eventual vitória de Adjuto Afonso reforçará a influência do governador Roberto Cidade sobre o Parlamento e poderá ampliar sua capacidade de articulação política.

Já uma vitória de Thiago Abrahim representaria uma derrota relevante para a base governista e daria novo fôlego ao campo liderado por Eduardo Braga e Omar Aziz na reta final antes das convenções partidárias.

Foto: divulgação