União Brasil descarta Do Carmo e quer Alberto Neto a vice de Roberto Cidade
Articulação pode transformar Wilson Lima no único candidato da direita ao Senado para confronto direto com Eduardo Braga, da esquerda
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/07/2026 às 07:18 | Atualizado em: 13/07/2026 às 07:21
A uma semanas da abertura do período das convenções partidárias, o tabuleiro eleitoral do Amazonas começa a revelar movimentos que, até pouco tempo atrás, pareciam improváveis. Nos bastidores, cresce a percepção de que a principal negociação em curso entre União Brasil e PL já não passa mais pela pré-candidata ao governo Maria do Carmo Seffair, mas pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), hoje pré-candidato ao Senado.
Se a articulação prosperar, o efeito será uma das maiores reviravoltas da pré-campanha.
A hipótese em discussão é simples, mas de enorme impacto político: Alberto Neto deixaria a disputa pelo Senado para assumir a vaga de vice na chapa do governador Roberto Cidade (União). Este é candidato à reeleição. Em consequência, o ex-governador Wilson Lima (União), também pré-candidato ao Senado, passaria a ser o único nome do bloco conservador para a Câmara Alta.
Embora nenhuma das legendas confirme oficialmente esse desenho, o próprio Roberto Cidade vem afirmando que manterá o diálogo aberto até o encerramento das convenções, sem fechar portas para novas alianças.
O calendário reforça essa leitura. O União Brasil marcou sua convenção para o dia 4 de agosto, último dia permitido pela Justiça Eleitoral, preservando margem para negociações até os instantes finais.
Maria perde espaço
O aspecto mais significativo dessa movimentação é justamente quem fica de fora dela.
Nos bastidores do grupo de Roberto Cidade, Maria do Carmo deixou de ser alternativa para uma composição majoritária.
Apesar de o governador ter declarado publicamente que está aberto ao diálogo com quem desejar integrar seu projeto político, interlocutores do grupo afirmam que as conversas caminham em outra direção: o interesse está no PL como força política e, sobretudo, em Alberto Neto, não na candidatura de Maria do Carmo.
A avaliação interna é de que sua pré-campanha perdeu capacidade de agregar.
Nos últimos dias, o BNC Amazonas mostrou sinais públicos desse desgaste. Primeiro, ao revelar dificuldades políticas enfrentadas pela empresária dentro do próprio campo conservador. Depois, ao registrar que ela passou a concentrar sua comunicação nas redes sociais em temas pessoais, como a paixão pelos 27 cães que cria, em meio aos rumores sobre seu futuro eleitoral.
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Quatro pecados políticos
Entre dirigentes partidários e operadores da política, consolidou-se uma interpretação para explicar por que Maria do Carmo deixou de ocupar posição central nas articulações.
Reservadamente, aliados e ex-aliados resumem o problema em quatro comportamentos que, na linguagem política, seriam “pecados capitais”.
O primeiro seria a soberba, pela dificuldade de construir consensos.
O segundo, a ira, por ter dirigido ataques contra Wilson Lima, personagem que hoje ocupa posição estratégica nas negociações da direita.
O terceiro, a gula política, pela condução de uma pré-campanha excessivamente personalista, sem dividir protagonismo com lideranças do próprio campo.
E, por fim, a avareza política, traduzida, segundo interlocutores, pelo descumprimento de compromissos firmados inclusive com dirigentes estaduais do PL.
São avaliações de bastidores, sem confirmação pública dos envolvidos, mas que ajudam a explicar o esfriamento de sua posição nas conversas.
Um novo desenho da direita
Caso Alberto Neto migre para a vice de Roberto Cidade, a direita produziria dois efeitos simultâneos.
O primeiro seria fortalecer a chapa ao governo, incorporando um nome identificado com o eleitorado bolsonarista.
Voto conservador
O segundo seria abrir espaço para que Wilson Lima concentrasse praticamente sozinho o voto conservador na disputa pelo Senado.
Na prática, o bloco passaria a apresentar uma chapa mais enxuta e ideologicamente homogênea.
Polarização mais clara
Esse rearranjo também produziria reflexos no campo adversário.
O senador Omar Aziz (PSD) lidera uma frente apoiada por partidos de centro e esquerda e tem como parceiro ao Senado o senador Eduardo Braga (MDB).
Braga trabalhou desde o início da montagem da aliança para evitar uma segunda candidatura competitiva ao Senado dentro de seu próprio campo político. Concentrou apoios em torno de seu nome. E pode ser esse o único nome da esquerda. E, também, um problema para ele.
Se, de um lado, essa estratégia reduz disputas internas, de outro poderá provocar um confronto mais direto com uma eventual chapa unificada da direita.
Ainda assim, há um elemento que continua embaralhando essa equação: o senador Plínio Valério (PSDB), que permanece fora dos dois principais blocos e aparece como uma alternativa relevante para o segundo voto ao Senado, fenômeno já identificado em levantamentos divulgados nas últimas semanas.
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Até 4 de agosto, tudo permanece oficialmente em aberto.
O curioso é que, poucos meses atrás, o próprio PL nacional reafirmava publicamente uma chapa puro-sangue com Maria do Carmo ao governo e Capitão Alberto Neto ao Senado, descartando qualquer entendimento com o União Brasil.
Na política, porém, o calendário costuma alterar convicções.
E, quando as convenções se aproximam, os projetos individuais frequentemente cedem espaço às contas eleitorais. Hoje, é exatamente essa matemática que parece estar reposicionando as peças da direita amazonense.
Foto: reprodução/rede social
