Governo aguarda decisão dos EUA sobre tarifas antes de definir reação a Trump
Planalto considera cenário mais provável e avalia resposta com base na Lei de Reciprocidade
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/07/2026 às 06:21 | Atualizado em: 13/07/2026 às 06:22
O governo do presidente Lula da Silva (PT) vai aguardar a decisão final dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros antes de definir a estratégia de reação ao governo de Donald Trump.
Dessa maneira, o prazo para a Casa Branca anunciar se colocará em prática a medida termina na quarta-feira (15).
A avaliação do Palácio do Planalto é de que o cenário mais provável seja a confirmação das sobretaxas, hipótese reforçada após o representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmar que Brasil e EUA ainda estão distantes de um acordo.
As tarifas foram anunciadas por Trump em duas etapas. Em 1º de junho, o presidente americano propôs uma alíquota de 25% sobre mercadorias brasileiras após uma investigação que abordou temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, anunciou uma taxa adicional de 12,5% para países considerados falhos no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Em ambos os casos, os EUA divulgaram listas de exceções para evitar impactos sobre os preços no mercado americano.
Apesar da expectativa de confirmação das medidas, negociadores brasileiros acreditam que Washington ainda poderá ampliar a relação de produtos isentos da tarifa de 25%, por meio de um anexo à decisão final. A possibilidade ganhou força diante da pressão exercida por empresas e entidades americanas que dependem de insumos brasileiros.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, ao menos 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram que determinados produtos brasileiros fiquem fora da lista de sobretaxas, sob o argumento de que não existem fornecedores equivalentes no mercado interno americano.
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Reação
Caso a taxação seja confirmada, a reação inicial do governo brasileiro deverá ser uma manifestação oficial de indignação, reiterando que a decisão é “inaceitável”. O Itamaraty também deve reforçar o entendimento de que as tarifas não têm justificativa, argumentando que a estrutura tarifária brasileira já favorece as exportações norte-americanas.
Após o anúncio, equipes técnicas e integrantes da cúpula do governo deverão analisar detalhadamente a decisão para definir os próximos passos. Entre as alternativas está a continuidade das negociações diplomáticas ou a eventual aplicação da Lei de Reciprocidade, que autoriza o Brasil a adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.
Regulamentada pelo presidente Lula após aprovação no Congresso, a legislação foi criada justamente para permitir respostas a restrições comerciais impostas por outros países.
Nos bastidores, a diplomacia brasileira avalia que Lula não deve buscar uma negociação direta com Donald Trump neste momento, mantendo as tratativas no âmbito técnico e diplomático.
O governo também considera remota a possibilidade de adiamento da entrada em vigor das tarifas. A percepção é de que a política comercial americana tem sido baseada na ampliação de barreiras tarifárias e que, durante as negociações, representantes dos Estados Unidos classificaram como “imexível” o prazo para a conclusão da investigação.
Ainda assim, interlocutores do Planalto avaliam que uma eventual prorrogação seria positiva, principalmente se vier acompanhada de uma justificativa econômica ou da necessidade de ampliar as negociações entre os dois países.
Assim sendo, embora o Brasil não tenha solicitado oficialmente o adiamento, o governo entende que a medida abriria espaço para tentar evitar um agravamento da disputa comercial.
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Foto: reprodução/Daniel Torok/The White House
