Amazonas tem artistas visuais indígenas no topo do mundo
Obras desse grupo foram recepcionadas em galerias renomadas de países da Europa
Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/07/2026 às 04:42 | Atualizado em: 03/07/2026 às 04:42
Amazonas tem quatro artistas no topo do mercado mundial de artes visuais, segundo atesta o jornalista e galerista de arte, Carlysson Sena. São eles Duhigó (do Povo Tukano), Dhiani Pa’saro (do Povo Wanano), Denilson Baniwa e Uyra (Munduruku).
Dois deles, Duhigó e Dhiani Pas’aro estão no portifólio da sua empresa, a Manaus Amazônia Galeria de Arte, e participam, constantemente, de exposições em outros estados e países.
Em parceria com galeristas, agentes, ongs e instituições públicas, os artistas agenciados por Sena já participaram de exposições em Madri (Espanha), Nova York (Estados Unido), Lisboa (Portugal) e Paris (França).
Duhigó, por exemplo, tem quadro na exposição permanente do Museu de Arte de São Paulo (avenida Paulista), na Pinacoteca de São Paulo e em Paris, no Espaço Frans Krajcberg, em uma exposição de artistas indígenas.

No Brasil, a empresa de Sena expôs obras de artistas indígenas em Manaus (AM), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e muito em breve em Recife (PE).
Para outubro, a galeria de Sena garantiu espaço na Feira de Arte de Pernambuco, onde estão reunidas obras de artistas do Norte e nordeste brasileiro.
Em Manaus, algumas das pinturas de artistas representados por sua galeria, compõem a exposição Reflexões Amazônicas da Galeria de Arte da Livraria Valer Teatro (Largo de São Sebastião, Centro), a nova referência do comércio de obras de artes amazonenses. O evento foi aberto em março e se encerra em dezembro.
Participam da exposição, também, os artistas não indígenas Monik Ventilari, Juliana Lama e Alessandro Hipz, curados por Sena.
Todos juntos
Os artistas presentes da exposição da Valer Teatro, Duhigó, Dhiani Pas’saro, Sãnipã, juntamente com Sena têm uma história em comum: são egressos do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC), cujo foco é “apoiar aqueles que desejam obter um elevado nível de conhecimento sobre as mitologias amazônicas, para expressá-la como base de uma poética artística e, também, incentivador da economia criativa do estado”.
Sena revelou que acompanha a trajetória dos destes artistas desde o IDC, onde cumpriu estágio exigido pelo curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Ele disse que se interessou pelo comércio de artes ao constatar o potencial dos alunos do IDC, que, mesmo depois de aperfeiçoados, contavam com mercado limitado para vender seus quadros.
Hoje, obras desse grupo foram recepcionadas em galerias renomadas de países da Europa, onde os consumidores recepcionam pintores com qualificação e potencial artístico de outros continentes.
Seleção
O agente de artes amazonense concorda com o jargão de marketing que define ambientes amazônicos inesperados como “um oceano azul”.
“O Amazonas é um oceano azul das artes, porque ainda não foi explorado. Tem um manancial de artistas potentes e habilidosos, com a possibilidade de crescimento para além das suas fronteiras, mas carece do ecossistema que sustente e consolide esse mercado”, pontuou Sena.
O ecossistema do mercado da arte é estruturado, segundo ele, com a atuação de curadores, produtores culturais, galeristas, agentes de arte, colecionadores e conselheiros de arte. Esses profissionais interagem em cadeia, a fim de que haja equilíbrio dinâmico entre produção e mercado.

“Temos um potencial ainda pouco explorado, que precisa ser mais profissionalizado, principalmente porque ainda existem alguns problemas de conceito e percepção de mercado em nossa região”, assegura Sena.
Ele explica que, sem essa interação – “ o mercado percebe as artes visuais de um jeito e a gente de outro” –, não há fluição entre os ambientes da produção, da comercialização e consumo.
Um dos motivos da criação da empresa Manaus Amazônia Galeria de Arte, esclarece Sena, é contribuir para que o mercado de artes amazonenses fique organizado e possa mostrar o potencial que possui.
“Artistas bons o estado tem bastante, o que falta é gestão”.
Para além da arte
Para Sena, os agentes e empresários da cultura devem despertar a percepção de que o consumo de arte não é só entretenimento. É mais: “A arte é negócio, diplomacia, política, economia e saúde”.
Esses são elementos, na avaliação de Sena, do amadurecimento do mercado.
“Precisamos explorar essas zonas para formarmos um público consumidor de artes. Afinal, não consumimos aquilo em que não damos valor”.
Na sua avaliação, o valor do consumidor local confere à arte amazônica um lugar somente no entretenimento ou no prazer estético, por isso, a necessidade de avançar para demonstrar algo mais.
“É muito gostoso colecionar obras de artes: elas geram patrimônio, saúde, status, ajudam nas relações políticas, profissionais, financeiras, no bom sentido do lobby; elas constroem imagens daquilo que nos define como cidadãos”.
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Fotos: Wilson Nogueira/especial para o BNC Amazonas
