Famílias extrativistas no Amazonas recebem R$ 8 mil por preservar florestas

A chamada pública prevê atender cinco reservas extrativistas: Arapixi, Kago do Capanã-Grande e Rio Ituxi no Amazonas; Rio Cautário e Rio Ouro Preto, em Rondônia

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 02/07/2026 às 16:27 | Atualizado em: 02/07/2026 às 16:27

O governo do presidente Lula da Silva vai pagar R$ 8 mil, em duas parcelas, para 1.100 famílias de reservas extrativistas no Amazonas e Rondônia por manterem as florestas onde vivem com 90% da cobertura vegetal nativa.

Para isso, o Ministério do Meio Ambiente lançou nesta quinta-feira (2 de julho) uma chamada pública para pagamento por serviços ambientais (PSA).

A convocação prevê atender cinco reservas extrativistas: Arapixi, Lago do Capanã-Grande e Rio Ituxi no Amazonas; Rio Cautário e Rio Ouro Preto, em Rondônia.

São unidades de conservação que registraram as maiores quantidades de alertas de desmatamento nos últimos cinco anos, o que reforça a importância dessas Resex como barreira ao avanço do desmatamento.

Para o governo, o pagamento por serviços ambientais é um incentivo fundamental para fortalecer a proteção da floresta e reconhecer o serviço ambiental de proteção da floresta prestado pelas pessoas que vivem nesses territórios.

“As famílias que vivem nas reservas extrativistas são parceiras estratégicas da conservação. Elas mantêm a floresta em pé por meio do uso sustentável dos recursos naturais e de conhecimentos construídos ao longo de gerações”, explica o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

Para ele, a iniciativa representa um avanço importante porque transforma em política pública o reconhecimento de que conservar a Amazônia depende de fortalecer as populações que historicamente protegem esses territórios.

Preservação

O secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial da pasta do Meio Ambiente, André Lima, diz que a ação apoia comunidades tradicionais que historicamente foram invisibilizadas pelos políticos e pelas políticas públicas.

Para ele, é um avanço fundamental para garantir a manutenção das florestas. “Sem essas comunidades já teríamos perdido milhões de hectares de florestas na Amazônia”, diz.

“Os ribeirinhos, extrativistas, castanheiros, seringueiros, pescadores tradicionais, quilombolas dentre tantas outras comunidades tradicionais além dos povos indígenas são a garantia de que as florestas permanecerão em pé e vivas, se de fato oferecermos condições de prosperidade a eles”.

Foto: Ministério do Meio Ambiente/Paulo de Araújo