Lideranças do interior chegam a Manaus à espera de sinal de Roberto Cidade
Embora sem confirmação oficial, cresce a expectativa nos bastidores para que Roberto Cidade anuncie se entrará na disputa pela reeleição ao Governo do Amazonas.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/07/2026 às 05:53 | Atualizado em: 02/07/2026 às 05:53
Manaus vive, nestes primeiros dias de julho, um discreto, mas perceptível movimento político. Vereadores e outras lideranças municipais de diversas regiões do Amazonas começaram a desembarcar na capital para acompanhar de perto o que pode ser o primeiro gesto público do governador Roberto Cidade em direção às eleições deste ano.
Oficialmente, não há convocação nem confirmação de qualquer ato político. Nos bastidores, porém, a expectativa é evidente: aliados acreditam que chegou a hora de Cidade deixar de lado o discurso de que “o momento é de trabalhar” para indicar se disputará a reeleição ao Governo do Amazonas.
Desde que assumiu o comando do Executivo estadual, em 4 de abril, Roberto Cidade evita tratar do tema eleitoral. Em todas as oportunidades, repetiu praticamente o mesmo roteiro: a prioridade seria governar e entregar resultados.
Agora, entretanto, já não é apenas a política que pressiona. O calendário eleitoral também.
Os dias 4 e 5 de julho serão divisor de águas.
O primeiro marca uma das principais restrições impostas pela legislação eleitoral aos agentes públicos: a partir dessa data, ficam vedadas inaugurações de obras públicas com a presença de candidatos, um marco que tradicionalmente simboliza a entrada definitiva do país no ambiente eleitoral.
Já o dia 5 abre oficialmente a possibilidade de propaganda intrapartidária. É quando os filiados passam a poder realizar campanhas voltadas exclusivamente aos integrantes de seus partidos, buscando apoio para serem escolhidos candidatos nas convenções.
Embora seja uma modalidade restrita ao ambiente interno das legendas (sem utilização de rádio, televisão ou publicidade voltada ao eleitorado em geral), historicamente, esses movimentos acabam produzindo forte repercussão política externa, especialmente quando envolvem ocupantes de cargos majoritários.
É justamente essa combinação entre calendário e expectativa que explica a movimentação observada em Manaus.
Nos corredores do poder, a leitura é de que dificilmente Roberto Cidade conseguirá atravessar os próximos dias mantendo o mesmo silêncio adotado desde abril. Se optar por disputar a reeleição, precisará iniciar, ainda que de forma cuidadosa, a construção política dentro do partido e junto às lideranças que formarão sua base eleitoral.
A presença de vereadores do interior na capital reforça essa percepção. Roberto Cidade não tem apoio geral dos prefeitos. Eles ficaram no arco de aliança pró-Omar Aziz (PSD).
Nesse caso, os vereadores dizem estar na capital para cumprir agendas institucionais, mas que também aguardam um eventual chamado para reuniões políticas ou encontros reservados que possam indicar o rumo da sucessão estadual.
Nenhum aliado confirma oficialmente que haverá anúncio. Mas, na política, muitas vezes o silêncio também tem prazo de validade. E, para quem acompanha os bastidores do poder no Amazonas, os próximos dias tendem a revelar se Roberto Cidade continuará apenas governando ou se começará, finalmente, a agir como candidato.
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Foto; Tiago Correa/ Secom
