Aziz acusa Cidade de desviar R$ 100 milhões da UEA para cobrir rombo do Master
Senador denuncia decreto estadual que retira recursos da UEA e de fundo empresarial para cobrir aplicações da Amazonprev.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 10/06/2026 às 19:00 | Atualizado em: 10/06/2026 às 19:00
O senador Omar Aziz (PSD) acusou o governador Roberto Cidade (União Brasil) de desviar R$ 100 milhões da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para cobrir o rombo nas contas da Fundação de Previdência do Estado do Amazonas (Amazonprev), que investiu R$ 50 milhões nos fundos fraudulentos do banco Master.
Segundo Aziz, o decreto foi assinado nesta terça-feira (9/6) para retirar dinheiro do fundo mantenedor da universidade.
“Nós temos visitado os municípios, sabemos que a UEA está de mal a pior, e ainda tirou os recursos deles. Para quê? Para pagar o rombo do banco Master, tirou R$100 milhões da pesquisa e da compra de um hospital universitário da universidade, que é o rombo que o Master deixou no Amazonas”, acusou.
As aplicações irregulares da Amazonprev chegam a R$ 390 milhões, feitas durante a administração do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), a quem o senador acusa de agir junto com Cidade.
“É a mesma coisa: Roberto Cidade e Wilson Lima são os mesmos – só o sobrenome que é diferente -, mas é a mesma pessoa, o mesmo modus operandi e a mesma disciplina em relação aos maus cuidados com o erário”, diz Aziz.
Além da UEA, o senador afirmou que foram retirados também R$ 100 milhões do fundo de micro e pequenas empresas.
“Em menos de um mês, esse cidadão que assumiu o governo agora começou a baixar decreto. O primeiro decreto que ele baixou, foi para tirar R$100 milhões do fundo de micro e pequenas empresas, que pode chegar a R$ 200 milhões para usar no custeio. Tira do pequeno e do médio empresário”, acusa.
Providência
O senador diz que o total de desvio chega a R$ 228 milhões e pede providências para os órgãos de fiscalização e policiais sobre desvio de dinheiro público.
“Estou fazendo um apelo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público do meu estado, ao Ministério (Público) Federal, à Polícia Federal, à PGR (Procuradoria-Geral da República) para que tomem providências em relação à grande gandaia que se tornou o erário no meu estado. Não foi um real, foram mais de R$ 228 milhões”, disse.
Omar Aziz recebeu apoio dos senadores Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB).
“Vossa Excelência traz hoje à tribuna desta Casa, para o conhecimento do Brasil, algo extremamente lamentável. Diz ao Brasil que, nos últimos sete anos, o Estado do Amazonas obteve uma receita de R$ 220 bilhões, mas deixou de acrescentar que, além dessa receita de R$ 220 bilhões, houve um endividamento do estado em outros tantos bilhões de reais”, diz Braga.
O líder do MDB acrescenta que 25% da receita corrente líquida do estado está comprometida com o pagamento do endividamento.
“Isso nunca aconteceu na história do Estado do Amazonas, nunca. Eu fui governador por dois mandatos, Vossa Excelência foi por um mandato. Nós estamos na vida pública, há muitos anos, acompanhando vários governos. Nunca houve um endividamento de 25% da receita corrente líquida”, disse.
“Senador Omar, eu sei o quanto é doloroso para o senhor e para o Eduardo trazerem isso para o Brasil, aqui, do Senado. Nós conversamos sobre isso, a sua tristeza em ter que dizer isso, colocar esses números, essa vergonha nossa, a vergonha de todos nós, amazonenses, e trazer para cá, para o Senado. Ora, tirar R$ 100 milhões da UEA, dizer que a saúde tem um padrão elevado”, critica Plínio.
Até o fechamento desta matéria somente o ex-governador Wilson Lima respondeu: “Normal! Não é o discurso de um senador. É o discurso de um candidato”, disse.
O governador Roberto Cidade foi procurado, mas não retornou e o espaço continua aberto para a resposta do chefe do Executivo estadual.
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
