Diretor da PF critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas

Andrei Rodrigues afirma que medida não muda legislação brasileira, mas cobra que governo americano atue de forma prática prendendo foragidos e bloqueando bens.

Diretor da PF critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/06/2026 às 20:13 | Atualizado em: 05/06/2026 às 20:13

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas foi classificada como um “equívoco grosseiro” pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Em entrevista à coluna, o chefe da corporação garantiu que a medida norte-americana não altera a política pública do Brasil nem interfere nas investigações em curso no país. Como informa o Metrópoles.

“A decisão dos Estados Unidos não tem o condão de alterar a política pública e a legislação brasileira de enfrentamento ao crime organizado. Não existe nenhuma força executória de uma decisão de outro país capaz de mudar algo dentro do Brasil”, afirmou Rodrigues.

Diferenças técnicas e de motivação

Para o diretor-geral da PF, há uma linha clara que separa o terrorismo do tráfico de drogas, e confundi-los pode prejudicar as estratégias de combate a esses crimes. Rodrigues detalhou as principais diferenças entre os dois perfis:

  • Organizações terroristas: Movidas por motivações ideológicas, religiosas e objetivos políticos distintos.
  • Facções criminosas: Voltadas estritamente ao narcotráfico e à busca pelo lucro financeiro.

“É um equívoco confundir essas duas realidades porque as estratégias de enfrentamento são diferentes”, explicou o diretor.

Cobrança por cooperação na prática

Apesar das críticas conceituais à decisão de Washington, Andrei Rodrigues enxerga uma oportunidade para que os Estados Unidos transformem o discurso em ações práticas que ajudem o Brasil. Segundo ele, a nova classificação pode abrir espaço para ampliar a cooperação internacional, desde que os norte-americanos atuem de forma mais efetiva em três frentes principais:

  1. Prisão de foragidos: Captura de criminosos brasileiros que hoje vivem em território norte-americano.
  2. Asfixia financeira: Bloqueio de patrimônios e bens de faccionados que utilizam o sistema financeiro dos EUA para lavagem de dinheiro.
  3. Recuperação de ativos: Devolução de recursos financeiros ligados ao crime organizado para os cofres brasileiros.

“Se os Estados Unidos querem enfrentar essas facções, podemos colaborar. Eles podem prender foragidos da Justiça brasileira, bloquear bens de criminosos que utilizam o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro e ampliar a troca de informações. Existem muitas possibilidades de cooperação”, ressaltou.

Por fim, o chefe da PF lembrou que a parceria entre os dois países já é de longa data e gera resultados expressivos, destacando que boa parte das apreensões realizadas pela Polícia Federal no Brasil é fruto direto da integração com agências americanas, especialmente o FBI e a DEA (agência de combate às drogas).

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