Amazônia: indígenas no Amapá têm alta contaminação por mercúrio de garimpo

Metade dos indígenas avaliados no Oiapoque apresenta níveis acima do limite de segurança da OMS

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/06/2026 às 13:14 | Atualizado em: 04/06/2026 às 13:14

Um estudo realizado no município de Oiapoque, no Amapá, identificou que 50% dos indígenas analisados apresentam níveis de mercúrio iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, patamar considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A contaminação está associada ao consumo de peixes afetados pelo garimpo ilegal na região.

O levantamento foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), com base em 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na.

A exposição ao mercúrio pode causar danos neurológicos, perda de memória, tremores, alterações motoras e complicações durante a gestação. Os dados mostram que a contaminação se acumula ao longo da vida e atinge principalmente a população mais velha.

Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas de saúde e de maior fiscalização para combater os impactos do garimpo ilegal.

“As consequências da contaminação pelo mercúrio atingem a todos, não só aqueles que estão no garimpo. Todos saímos prejudicados. Por isso é importante ainda fazer novos testes e ampliar a discussão sobre isso nas nossas terras”, afirmou Janina Karipuna, presidente da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM).

Pesquisas anteriores do Iepé também identificaram a presença de mercúrio em peixes comercializados na região Norte.

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