Indústria do Brasil tem custo de R$ 107 bi ao ano com crime organizado, diz CNI
Levantamento mostra que empresas gastam bilhões com segurança e acumulam prejuízos causados por roubos, contrabando e pirataria.
Publicado em: 02/06/2026 às 08:49 | Atualizado em: 02/06/2026 às 08:50
Dinheiro que poderia financiar expansão, inovação e geração de empregos acaba sendo consumido pela criminalidade. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o setor perde cerca de R$ 107 bilhões por ano com crimes e medidas de proteção.
Desse total, R$ 68,8 bilhões correspondem a gastos com segurança patrimonial, monitoramento eletrônico, proteção cibernética e vigilância. Outros R$ 39,1 bilhões representam perdas diretas provocadas por roubos, furtos, contrabando, pirataria e fraudes.
A pesquisa ouviu 1.398 empresas de 32 segmentos industriais e apontou que mais de um terço das indústrias brasileiras sofre impactos diretos da criminalidade.
As pequenas e médias empresas aparecem entre as mais afetadas. Segundo a CNI, as perdas equivalem a até 0,8% da receita líquida anual dessas companhias, percentual superior ao registrado entre grandes empresas.
O roubo de cargas lidera a lista de ocorrências, citado por 32% dos entrevistados. Em seguida aparecem a venda de produtos fora das normas técnicas, a pirataria e a falsificação, práticas que ampliam a concorrência desleal e reduzem a participação das empresas no mercado.
Metade das indústrias atingidas relatou perda direta de receita. Já 30% apontaram redução da fatia de mercado como uma das principais consequências das atividades ilegais.
Para enfrentar o problema, 77% das empresas defendem maior fiscalização e controle. Outras 46% apostam em ações de inteligência, enquanto 36% apoiam o endurecimento da legislação.
A entidade também alerta para a influência crescente do crime organizado em setores como combustíveis e bebidas, embora o estudo não tenha mensurado quanto dessas perdas está diretamente ligado à atuação das facções.
Saiba mais no ICL Notícias.
Leia mais
Carbono Oculto: ação investiga crime organizado nos combustíveis
Foto: Bruno Leão/Secom
