Amazonas entra na era da cirurgia robótica com a Samel
Hospital privado realiza procedimento inédito com sistema Da Vinci X e amplia legado de inovação da pandemia de covid-19
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 28/05/2026 às 20:09 | Atualizado em: 28/05/2026 às 20:11
O Amazonas passará a integrar o seleto grupo de estados brasileiros que realizam cirurgias assistidas por robôs. No próximo dia 31 de maio, o hospital Samel, em Manaus, fará a primeira cirurgia robótica da história do estado, utilizando a plataforma Da Vinci X, considerada uma das mais avançadas do mundo para procedimentos minimamente invasivos.
O procedimento inaugural será uma prostatectomia radical, indicada para o tratamento de câncer de próstata.
A tecnologia permite ao cirurgião operar com visão ampliada em três dimensões e movimentos de alta precisão, reduzindo riscos e ampliando a segurança do paciente.
A iniciativa, conforme o presidente Luiz Alberto Nicolau, representa um avanço significativo para a medicina na Amazônia, região historicamente dependente dos grandes centros do Sudeste para tratamentos de alta complexidade.
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Menos viagens para tratamento fora do estado
A chegada da cirurgia robótica tende a reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes amazonenses para hospitais de São Paulo, Brasília e outras capitais em busca de procedimentos especializados.
Segundo Nicolau, entre os benefícios estão menor tempo de internação, recuperação mais rápida, redução da dor pós-operatória, menor risco de sangramento e maior preservação de tecidos e funções adjacentes.
O diretor comercial do grupo Samel, Hiram Nicolau, classificou o momento como histórico para a saúde amazonense e destacou que a inovação busca ampliar o acesso da população da região Norte a tratamentos de padrão internacional.
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Da cápsula Vanessa à cirurgia robótica
A chegada da plataforma Da Vinci X reforça uma trajetória de investimentos em inovação que ganhou projeção nacional durante a pandemia de covid-19.
Em 2020, no auge da primeira onda do forte ataque do vírus sobre a população amazonense, a Samel desenvolveu a chamada cápsula Vanessa.
Tratava-se de um equipamento de ventilação não invasiva (VNI) desenvolvido em Manaus com o duplo objetivo de evitar a intubação precoce de pacientes e proteger os profissionais de saúde do contágio.
O projeto foi idealizado por médicos e fisioterapeutas do grupo Samel em parceria com o Instituto Transire, integrado ao polo de tecnologia da Zona Franca de Manaus (ZFM).
O equipamento foi batizado em homenagem a Vanessa, das primeiras pacientes com covid-19 atendida na rede Samel. O sofrimento gerado pelo procedimento invasivo, que no início da pandemia era a principal diretriz da OMS, motivou a equipe hospitalar a buscar alternativas.
Vanessa sobreviveu e teve alta em abril de 2020, e a cápsula se tornou a principal terapia alternativa à intubação orotraqueal no estado.
Patente aberta
Nicolau determinou que a tecnologia da cápsula Vanessa fosse disponibilizada sem fins lucrativos. A “patente quebrada” permitiu que hospitais e governos de outros estados e países (como a Bolívia) replicassem o equipamento gratuitamente.
Além de ser o tratamento padrão no hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, na capital, dezenas de cápsulas foram enviadas a municípios do interior do Amazonas (como São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Tefé e Barcelos), ajudando a frear a mortalidade em regiões de difícil acesso logístico e populações indígenas vulneráveis.
Dessa forma, a operadora e rede hospitalar também teve papel relevante durante o colapso da saúde no Amazonas.
Novo capítulo para a medicina amazonense
Fundado há 45 anos pelo médico e ex-deputado federal Luiz Fernando Nicolau, o grupo Samel tornou-se uma das maiores estruturas privadas de saúde da região Norte, atuando em hospitais, pronto-atendimentos e planos de saúde.
Agora, ao inaugurar o primeiro centro cirúrgico robótico do Amazonas, a instituição abre um novo capítulo para a medicina regional, aproximando a população amazônica de tecnologias que até recentemente estavam restritas aos maiores hospitais do país.
A adoção da cirurgia robótica também reforça uma tendência de interiorização e modernização dos serviços de alta complexidade na Amazônia, reduzindo a dependência histórica de centros médicos de outras regiões e ampliando o acesso da população a tratamentos de ponta sem sair do estado.
O que muda com a cirurgia robótica?
• Visão ampliada em 3D e alta definição
• Movimentos com precisão milimétrica
• Menor sangramento durante a cirurgia
• Menor tempo de internação
• Recuperação mais rápida
• Menor dor no pós-operatório
• Redução do risco de complicações
• Menor necessidade de tratamento fora do Amazonas
Foto: divulgação
