Flávio Bolsonaro nos EUA sem agenda gera suspeita de fuga

Viagem de Flávio Bolsonaro e Mário Frias coincide com novas operações no Rio e alimenta especulações sobre possível fuga.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 26/05/2026 às 09:55 | Atualizado em: 26/05/2026 às 09:56

A viagem do senador Flávio Bolsonaro e do deputado federal Mário Frias, ambos do PL, aos Estados Unidos, neste dia 25 de maio, passou a ser acompanhada com atenção nos bastidores de Brasília por coincidir com o avanço de investigações que atingem aliados políticos do bolsonarismo no Rio de Janeiro.

Neste dia 26, a Polícia Federal novamente amanheceu na porta da casa do ex-governador Cláudio Castro, o maior aliado de Flávio Bolsonaro no estado.

Sem compromissos confirmados oficialmente na Casa Branca ou registros públicos de encontros com integrantes do governo de Donald Trump, a viagem abriu espaço para especulações políticas e questionamentos da oposição sobre o real objetivo da ida ao exterior.

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Ausência de agenda oficial

Até o momento, nenhum integrante do governo norte-americano confirmou reuniões institucionais com os parlamentares brasileiros.

Também não há registro público de compromissos oficiais envolvendo a comitiva bolsonarista em Washington.

A ausência de uma agenda concreta passou a ser explorada por adversários políticos como elemento que enfraquece o discurso de missão institucional.

Nos corredores do Congresso Nacional, opositores avaliam que o deslocamento ocorre em um momento delicado para o núcleo político ligado à família Bolsonaro.

A situação ganhou ainda mais repercussão após reportagens apontarem dificuldades de interlocução da comitiva com setores próximos ao governo republicano nos Estados Unidos.

Operações ampliam pressão no Rio

A viagem ocorre paralelamente ao avanço de operações autorizadas pelo ministro André Mendonça que atingem aliados do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, considerado um dos principais parceiros políticos de Flávio Bolsonaro no estado.

As ações conduzidas pela Polícia Federal têm como foco a coleta de provas e aprofundamento de linhas investigativas envolvendo suspeitas de irregularidades e possíveis conexões políticas com o crime organizado.

Nos bastidores jurídicos, interlocutores avaliam que o objetivo principal das operações não seria apenas eventual responsabilização criminal imediata, mas a ampliação do conjunto probatório capaz de atingir outros personagens do entorno político bolsonarista.

Histórico alimenta especulações

O histórico recente de bolsonaristas que deixaram o Brasil em meio ao avanço de investigações também contribuiu para elevar o tom das especulações políticas.

Entre os nomes frequentemente citados por opositores estão Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, além do blogueiro Alan dos Santos e do comentarista Paulo Figueiredo.

Embora não exista qualquer indicação concreta de permanência definitiva de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, adversários políticos passaram a levantar a hipótese de que a viagem possa servir também como fuga.

Frias amplia desgaste nas redes

Outro ponto que chamou atenção foi a postura de Mário Frias nas redes sociais.

O deputado bolsonarista fez provocações públicas ao ministro Flávio Dino e chegou a afirmar que retornaria ao Brasil no dia 25 de maio, o que acabou sendo usado por críticos para questionar a narrativa construída pelo parlamentar.

A movimentação digital de Frias passou a ser interpretada por opositores como tentativa de manter mobilizada a base bolsonarista enquanto cresce a pressão judicial sobre aliados do grupo político.

Clima de desconfiança em Brasília

O ambiente político em Brasília é de cautela. Parlamentares governistas e integrantes da oposição reconhecem que a coincidência entre a viagem e os desdobramentos das investigações inevitavelmente alimenta interpretações políticas.

Aliados de Flávio Bolsonaro negam qualquer relação entre a ida aos Estados Unidos e as operações recentes no Rio de Janeiro.

Ainda assim, a falta de uma agenda oficial e o avanço simultâneo das investigações mantêm viva, no meio político, a desconfiança sobre os reais objetivos da viagem.

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Foto: reprodução/ Leandro Prazeres / BBC News Brasil