Helder Barbalho se une a Hugo Motta para aprovar pacote contra meio ambiente
Articulação política fragiliza fiscalização ambiental e gera onda de críticas de jornalistas e especialistas
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 25/05/2026 às 19:58 | Atualizado em: 25/05/2026 às 19:58
A aprovação relâmpago de três projetos de lei pela Câmara dos Deputados na semana passada desencadeou uma onda de repúdio.
Com articulação direta do ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), em aliança com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e a bancada do agronegócio, as propostas fragilizam a fiscalização e as regras de proteção na Amazônia e em outros biomas brasileiros.
A ex-ministra e deputada Marina Silva denunciou o pacote na tribuna. Ela destacou que as medidas buscam inviabilizar o uso do sensoriamento remoto por satélite, ferramenta que foi crucial para reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% nos últimos anos.
“O que estão querendo é voltar ao tempo da impunidade”, afirmou, ressaltando o risco de expor fiscais do Ibama a operações de corpo a corpo contra invasores armados.
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A jornalista Miriam Leitão também reagiu com dureza, classificando o pacote de propostas como uma “semana de destruição do meio ambiente”.
O tom crítico é endossado por outros grandes nomes da imprensa que cobrem a pauta ambiental.
O jornalista Adriano Wilkson apontou a contradição entre o discurso de preservação adotado por políticos na COP-30 e a prática que avança sobre a floresta.
Para ele, a redução da floresta nacional do Jamanxim (Flona), no Pará, cujo território perderá quase 40% de sua área para se tornar uma APA (área de proteção ambiental), atende diretamente aos interesses da grilagem e do garimpo.
O jornalista André Trigueiro afirmou que, além de enfraquecer o monitoramento por satélite, o pacote também fragiliza a proteção de campos nativos.
A medida abre caminho para o desmatamento no Cerrado, Pantanal, Pampas e na Mata Atlântica, concedendo aos infratores manobras burocráticas para o protelamento de multas e embargos.
Será que o Senado barra?
A matéria segue agora para o Senado, onde o movimento ambientalista espera barrar os retrocessos utilizando a pressão da sociedade civil e argumentos baseados em evidências científicas.
Fonte e vídeo de referência.
Foto: reprodução
