Manaus planeja expansão industrial para chegada de novas fábricas à ZFM

Prefeitura estuda novas áreas para o distrito industrial diante da perspectiva de até 200 empresas e dos efeitos da reforma tributária

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 19/05/2026 às 09:47 | Atualizado em: 19/05/2026 às 09:47

A Prefeitura de Manaus faz estudos técnicos para ampliar as áreas destinadas à instalação de indústrias, em uma sinalização estratégica para preparar a capital amazonense para uma nova rodada de investimentos na Zona Franca de Manaus (ZFM).

Conduzido pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), o trabalho envolve a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), e busca identificar terrenos aptos a receber empreendimentos industriais de grande porte.

A iniciativa ganha relevância em um momento em que cresce a expectativa de novos investimentos no polo industrial da ZFM, impulsionados pela manutenção das vantagens competitivas do modelo na reforma tributária e pela chegada de empresas internacionais ao Amazonas.

Saturação do atual distrito

Segundo o diretor-presidente do Implurb, Antônio Peixoto, os distritos industriais tradicionais já apresentam escassez de terrenos, sobretudo em razão do avanço da ocupação urbana e de invasões irregulares ao longo das últimas décadas.

Os estudos se concentram em áreas localizadas nos eixos da BR-174 e da AM-10, além de regiões da zona leste e ramais próximos ao atual distrito industrial, com potencial para abrigar novas plantas fabris.

A proposta inclui não apenas a instalação de fábricas, mas também infraestrutura urbana e serviços públicos, como escolas, creches, unidades de saúde e loteamentos residenciais, em um modelo de desenvolvimento integrado.

“Você leva trabalhadores para essas regiões e precisa garantir que exista estrutura adequada para essas pessoas viverem”, afirmou Peixoto.

Alerta de falta de terras

O tema já havia sido destacado pelo BNC Amazonas ao mostrar que a Zona Franca de Manaus precisa de novas áreas para acomodar um ciclo de expansão estimado em até 200 indústrias.

A preocupação foi levantada ainda pelo então titular da Suframa, Bosco Saraiva, que advertiu sobre a necessidade de revisão do plano diretor e de regularização fundiária para garantir espaço à instalação de novas empresas.

O alerta ganhou ainda mais força após o anúncio da chegada da gigante chinesa Haier, que escolheu Manaus para iniciar sua produção no Brasil com televisores e aparelhos de ar-condicionado, reforçando a atratividade internacional da ZFM.

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Reforma tributária aumenta pressão

A reforma tributária preservou mecanismos de compensação destinados à Zona Franca de Manaus, mantendo a competitividade do modelo e fortalecendo a perspectiva de atração de novos projetos industriais.

Com isso, a disponibilidade de terras tornou-se um dos principais gargalos para a expansão do parque fabril.

Em março, reportagem do setor industrial indicou que a ausência de terrenos adequados já é vista como obstáculo concreto para empresas interessadas em se instalar no Amazonas.

Desenvolvimento com ordenamento urbano

A Prefeitura de Manaus afirma que o projeto também considera o ordenamento territorial e a necessidade de reduzir a expansão horizontal da cidade, incentivando o adensamento urbano e a ocupação planejada.

Na prática, o município busca alinhar crescimento econômico e infraestrutura, preparando Manaus para uma nova fase de expansão da indústria.

O que está em jogo

Novas indústrias: estimativa de até 200 empresas interessadas em se instalar na ZFM.

Mais empregos: ampliação da capacidade de geração de postos de trabalho e renda.

Novas áreas: eixos da BR-174, AM-10 e zona leste estão entre os locais em estudo.

Reforma tributária: preservação do modelo aumenta expectativa de investimentos.

Investimentos internacionais: chegada da Haier reforça confiança no polo industrial da ZFM.

Estratégia

A expansão do distrito industrial representa, portanto, mais do que uma questão urbanística.

Trata-se de uma decisão estratégica para garantir que Manaus continue oferecendo condições para receber investimentos, ampliar a produção e preservar o protagonismo da ZFM como principal motor da Amazônia ocidental.

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Foto: divulgação