Globo blinda Flávio Bolsonaro no ‘Fantástico’ com cobra jararaca
O silêncio do jornalismo tradicional sobre o caso Master contrasta com as reações de bastidores e as próprias cobranças públicas do senador
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 18/05/2026 às 19:29 | Atualizado em: 18/05/2026 às 19:29
O silêncio do jornalismo da Rede Globo diante do avanço das investigações sobre o filme “Dark horse”, apelidado nos bastidores de “O pangaré”, abriu uma nova crise de narrativa na cobertura política nacional.
Enquanto as redes sociais e os canais independentes, como o ICL e Intercept, repercutiam os áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrando repasses milionários ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o programa “Fantástico” deste 17 de maio optou por dedicar espaço generoso a uma cobra jararaca, omitindo o fato político mais importante desta eleição a presidente da República.
A estratégia de ignorar o escândalo da relação promiscua da família Bolsonaro com o caso Master tornou-se ainda mais insustentável após o próprio senador vir a público contra-atacar a própria Globo que agora faz ato de blindagem.
Em entrevistas recentes, Flávio Bolsonaro cobrou coerência dos jornalistas ao lembrar que o banco Master aportou cerca de R$ 160 milhões em patrocínios dentro da própria grade da emissora, especificamente no programa apresentado por Luciano Huck.
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Os áudios revelados pelo jornalismo independente do The Intercept Brasil demonstram que a articulação para financiar “O pangaré” de Bolsonaro envolveu diretamente seu filho senador e outros integrantes do Partido Liberal (PL).
A produção, orçada originalmente em valores que superam os R$ 130 milhões, recebeu repasses expressivos de Vorcaro antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master por fraudes que afetaram o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A tentativa fracassada de desvincular a imagem do pré-candidato da extrema direita do maior escândalo financeiro do país esbarra nas mensagens de texto e áudio de apoio mútuo trocadas na véspera da prisão do banqueiro.
Para analistas políticos, o episódio redesenha o teto de rejeição de Flávio Bolsonaro e matou a narrativa que ele tentava colar no governo, sem qualquer elemento de prova, de envolvimento com as fraudes de Vorcaro.
Até agora Flávio Bolsonaro vem tentando, sem êxito, explicar o fluxo de caixa de uma produção internacional com recursos de um esquema sob investigação federal.
Foto: gerada por IA
